2010-09-12

mãos tocam as vestes

Porque há o direito ao grito.
Então eu grito.
Ou toca, ou não toca.

Lispector, Clarice



no tom maior com sentir da chuva do pôr do sol sobre o lugar para recomeço numa pré-estreia. asas sob lâminas precisas, que daria molhar no cheio com respiração e sangue para arriscar o olhar. uma investigação aos quatro elementos que atinge o âmago em fases de lua. da exposição a carga elétrica e a perder em ganho todas as malas com as iniciais gravadas da voz narrativa vibrante e arrebatador. pele à percepção na arte mais clara do processo, com porte de ajoelhar e do ciclo à vida em chamado. fabuloso fabular do campo que percorre o núncio do prostrar aos pés. a pena do trajeto olhar de águia, banho profundo. à foz do lamber os dedos e com alacridade saltar da cama e folhear na cabeceira o que está no diário de uma paixão. o manuscrito permanente do pano preparado para pintura inenarrável. visão da lua e as estrelas atrelados como a cor do sangue em pauta à taça no envolvimento em novas construções e abstrações intelectuais da recomposição. na tela de que voejar, captura-se em sabor a glória da presença, tal habilidade do desabrochar de uma gardênia. receptividade à música em pele de mão nua. pétala por pétala despida no chão a mercê da voz de trovão do universo letrativo. a primícia da forma sedenta e descalça do denunciar-se à brisa. a essência do versejar em olhos que se tocam o olhar de maio, e rasga a pele em releituras indeléveis. o melhor do canto na oferta dos lábios que se regozijam. nas cores primaveris de mel, do vento e do mar tradução por dedos no zelar do sono.


. canteiro pessoal

6 comentários:

Canteiro Pessoal disse...

Às vezes sento na cama, plena de tudo com o livro no colo, banhada no edredon, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo

Valéria Sorohan disse...

Plena... e direi e repetirei.. ad infinitum...


BeijooO*

so sad disse...

eu grito mais alto que puder!
beijo!

Jorge Pimenta disse...

priscila,
são códigos supralinguísticos aqueles que aproximam e apartam o que escreve e o que lê; para lá das palavras, há rasgos, empurrões, suor, saturação, cansaço... que saltam dos contornos de tinta para assumirem as cores que se desprendem da gramática dos homens - aquelas que se restauram na gramática que um deus, quase analfabeto, conseguiu invocar, talvez porque no gesto se escondia a ternura pueril. e o homem fez-se homem e esqueceu-se do que é ser menino. a palavra fez-se ordem e perdeu a noção da poesia. a vida fez-se imortalidade... e acabou por morrer sem nunca conhecer o frio da cova escura.
um beijinho, jardim de viço raro!

Danilo Castro disse...

Pri,

Como vai? Há tempos não passo por aqui. Que bom que você continua ativa. Meu blog anda meio parado. CONTINUO HÁ MILÊNIOS SEM INTERNET, não sei como estou sobrevivendo. Em nossos tempos, internet virou uma necessidade vital.

Flores e flores no seu jardim!

Canteiro Pessoal disse...

Valéria, a batida
na porta se faz falar o rasgar do céu.

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so sad, continuemos a gritar o dom da abertura.

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Jorge, obrigada pelo banquete letrativo; o polir vivo que promoves as minhas asas.

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Danilo, que saudades em grito, como é delicioso pousar meus olhos nas tuas letras, que tanto falam ao meu íntimo, forjam meu caráter e reescrevem o livro dos meus dias.

Abraços aves