2010-09-07

o lago ao entardecer

Lembro-me agora que tenho de marcar um encontro contigo, num sítio em que ambos possamos nos falar, de fato, sem que nenhuma das ocorrências da vida venha interferir no que temos para nos dizer.


Júdice, Nuno

À cama do lençol de palavras soltas, alma de mão estendida à reflexão - com ou sem par, o pulsar do peito nos dedos ? Nos lábios que guarda e aguarda, caminha-se para decifrar o mar com aprendizagem as ondas, e do desfazer sublime em espuma. Folhas secas à beira do jardim em profunda caverna estreita de grito à revelação da paixão, uma fragilidade à face do vale com anúncios de mosaico, no crer do retornar a casa inteiramente do despir. Liberdade poética ferver as camadas em chamas crescentes. O nome à obra cantante à sombra de carvalho dos tempos vindouros, e se faz silente as formas das manhãs que se materializam, casulo descasulado do pensar atrelado contínuo no adubo das mãos. Ar que cerca de vida, o sol do queimar delicioso à pele, enquanto a expectativa escorre pela retina ternura acariciante às madeixas. Momentos de rubro sentimento, fronte azul no trem que passa em que a única flor renasce da pedra para elevação, no ato de recriar e metamorfar o amanhã de páginas multicoloridas. Do branco discorrer no subterrâneo dos países metafísicos, e entre as pausas, tocar canções com sabor de boca osculada em vinhedos. Os ossos encharcados e os músculos amplexados no deleite de olhos fechados, e do banhar-se no mar de fonte inesgotável, denunciar-se à brisa.


. canteiro pessoal

9 comentários:

Valéria Sorohan disse...

A sua poesia tem farpas,
rasga a alma. Ácida, corrói
entranhas. Nunca é mansa. Perde-se o ar. Como pode por tantas vezes?!!

BeijooO*

Canteiro Pessoal disse...

Valéria,

Por detrás dos meus olhos há águas
Tenho de as chorar todas.
Tenho sempre um desejo de me elevar voando,
E de partir com as aves migratórias.
Respirar cores com os ventos
Nos grandes ares.

[...]

Else Lasker-Schüler

João disse...

esses encontros são os melhores, escrevi logo agora um texto que pensava nisso tbem. abrçs

Sr do Vale disse...

Um casulo rompendo-se.

Canteiro Pessoal disse...

João, todo encontro é um marco, um acorde à pele, e tudo se conjuga.

Obrigada pela visita.

Canteiro Pessoal disse...

Sr do Vale, suas pinceladas faz o romper do casulo, a fragilidade feminina e humana de um coração a pulsar à face do vale com núncios de mosaico.

- Vamos, hora de borboletar!

Obrigada por pousar em minhas asas. És um tesouro precioso.

Abraços que se pintam e re-pintam em seus acordes.

Ribeiro Pedreira disse...

aqui há poesia que escorre macia e lentamente. "denunciar-se à brisa" é o que se faz nesse espaço. e isso é doce.
bjs!

Canteiro Pessoal disse...

Pedreira, a poesia como sol que surge e acorda as manhãs. Como denunciar-se à brisa, descobre-se as coisas simples que antes não se vivia; lança-se à escuridão em resgate e explodi-se de amor pelas pálpebras da poesia emancipadora sendo luz, muitas vezes à face quebrada que o mundo apregoa. Que nossos olhares estejam atrelados à dedos na casa do lago, e sentir a vida correr nas veias.

Obrigada pelas brilhantes palavras.

Gabriela Poubel disse...

Um texto como o seu adoça esse meu fim de tarde! Parabéns!

GabrielaPoubel
Obrigado pela visita.