2010-09-05

Respingar

Quando é pela primavera, há flores nas macieiras e pintainhos novos pelo pátio. E quando é o Verão, há as manhãs solenes, e quando é o Outono, o ouro das colheitas. Lembro essas manhãs e o brilho fresco da água pelas noites sufocantes de Julho, e o frêmito da terra na hora do recomeço.

Ferreira, Vergílio




amplexo do pintar e re-pintar entre a multidão em múltiplas faces dos acontecimentos dos meses, árvores com almas. o carrossel descer à cidade sombria do dentro do ser-se marés sem voz, vesti-se e do amparo no sono dolorido e profundo. grita-se: quem deixa cair a máscara ? as emoções estacionadas, sem a púrpura dos dias, perante a surpresa do festejo do trilho da vida, ecoadas pelas avenidas traçadas as curvas, em fases irrecusáveis pela fuga adentrada nos lábios até ilha transbordante nos risos de abrigo, embriaguez, dança-se harpa e violino, atira ao habitat das mãos entrelaçadas. o enredo clamante, gota a gota da vida por encharcar os ossos, do declamar urgência de escrever, de ler, mas, sobretudo, de amar. de telar-se na leveza dos dias claros e na descoberta: o mistério dos dias tristes. a revelação intensa, profunda e madura nas canções pastorais, saciantes na batida dos apaixonados e não indaga-se a lacuna, os porquês.


. canteiro pessoal

9 comentários:

Gerana Damulakis disse...

Q texto interessante. Aliás, mais do que interessante.

Canteiro Pessoal disse...

Gerana, obrigada pela visita.

Volte sempre, abraços!

Cris de Souza disse...

Priscila Cáliga, teu nome já é poesia.

Admiro-te!

Beijo.

(Sua voz é foz de estrela, abrilhanta o trem da lira)

Valéria Sorohan disse...

Fascinante, você é mesmo top de linha!

BeijooO*

Ester disse...

Priscila,

Tem coisas que de tão belas nos deixam sem saber o que dizer... Apenas sorvemos a beleza que delas emana. Seu texto é assim. Uma imersão num mar de sentires de onde não queremos mais sair...

carinho meu...

Canteiro Pessoal disse...

Cris, é seu trem que não perde o compasso e arrebata-me para uma viagem aprofundada.

Abraços querida

Canteiro Pessoal disse...

Valéria, não sei se sou top de linha, mas mulher humana apreciadora de letras as quais vomitas, rasuras a rasgar à pele, tatuar intenso às camadas e muito ensinam a arte do amor e enamorar suave ao universo letrativo, adentrar no campo erudito como bailarina em vôos.

Abraços mulher viva e deslumbrante

Canteiro Pessoal disse...

Ester, repito em delícia:

abraço as tuas letras
e repouso para voo em detalhes
num respirar inigualável

paz

Juan Moravagine Carneiro disse...

Claro q ainda está de pé...
Vou usar uma tela do artebaiao como imagem

abraço