2010-09-19

Encontro Sensorial

Ser artista de vanguarda, ainda que de vanguarda em crise, significa, em primeiro lugar, acreditar no conteúdo da verdade da arte. Isto é, acreditar que a arte expressa algo de essencialmente verdadeiro que não pode ser alcançado por outros caminhos. Em segundo lugar, significa acreditar que esse algo, uma vez revelado, possa mudar a relação entre as pessoas e as coisas.

Ramos, Nuno



a madrugada que se alonga, do urinar com designo à reflexão, e lua no iluminar todo o bosque. uma patente da voz silente à observação do movimento da luz: escrever ou pintar ? o clarão no quarto com perfumar de dia chegado. o contorno da serra que avisa no fundo e traça um roteiro à mente. do simples ajoelhar no tapete ante infinita tela que solicita o mais. olhos abertos na viagem com canto dos sonetos ao campo misterioso dos sonhos milenares dentre o encerrar dos pesadelos que vem à tona. a dizer ao corpo atordoado pelas propriedades do lógico a oferta dos subgêneros com tons familiares e relaxantes. do há tecidos rasgados, mas da camada de tinta aplicada palavras adormecidas no desabrochar. o pano cru do preparo à base pela cabana, e ganha valor sobre as mãos beijadas com vigor da casa em águas cristalinas. o sabor de mais longe chegar no azul profundo aprofundado em todo recriar.


. canteiro pessoal

6 comentários:

Sr do Vale disse...

Pri, a intensidade de sua escrita, tira-me da zona de conforto, sacode interiormente. Em cada fraseado uma grandiosidade de valores refletidos, uma condensação efervecente pronta a dilacerar os sentidos, tal erudição poética.

Noslen ed azuos disse...

...palavras que você pinta no meu pensamento, tenho na tela suas palavras com minhas cores.

bjs
ns

T@CITO/XANADU disse...

Oi Priscila!
Lendo esse seu post, lembrei-me de algo que escrevi a algum tempo sobre arte. Transcrevo aqui para vc, talvez goste!
Beijos
Tácito



A natureza morta é feita por homens, mas não sobre eles.
(David Ribeiro - Artista plástico)

(...) e assim acontece com o nosso passado. tentar recapturá-lo é um trabalho em vão: todos os esforços de nosso intelecto se provarão ineficazes.
(Nietzsche)

Considerando alguns conceitos sobre natureza morta, pude chegar a conclusão que o passado, se esconde em algum lugar fora desse domínio, para além do alcançe do intelecto, em algum objeto material (na sensação que aquele objeto nos traz) do qual não temos a mais vaga idéia. E depende do acaso nos depararmos com esse objeto antes de morrermos.
via de regra natureza morta é o genero de pintura em que representam coisas ou seres inanimados.
Não sendo humano, e estando morto, e partindo do pressuposto que esteja inanimado, seria o Cristo crucificado uma natureza morta? Eu poderia dizer que é uma natureza ressuscitada?
A diluição das nossas caras na luz pouca do sol ou dos quartos, será sangue para os nervosos pincéis do poema que se desprende:

Nada sei sobre como conceber
Uma anti-natureza morta.
Sei que no porão da memória
Há muitos livros e um violão sem cordas.
Há uma luz em que posso notar
O sinal de um crucificado
Que caiu do madeiro.
pouca luz em tudo isto
Coada por soalhos, por sonhos
Impressões de ironica superfície.
Suficiente. Mais que suficiente.
Esta é a pobreza amada
da anti-natureza morta (?)
que contemplo sozinho.

Tácito

Canteiro Pessoal disse...

Sr do Vale, tesouro,

a força do seu traçado e jorrar das tuas tintas em remisturas, transporta-me ao cume.

Da zona de conforto à zona de confronto, para que o intrapessoal e interpessoal faço o impossível possível sobre as cordas da erudição poética em recanto na retina.

Abraços que se pintam e re-pintam em telas.

Canteiro Pessoal disse...

Azuos,

de a ao z na reconstrução; o viver intenso nas cores. O pensamento a marear tato indelével em suspiros.

Abraços

Canteiro Pessoal disse...

Tácito,

sem palavras, apenas absorvo cada partícula em tamanha grandeza de sua oferta, partilha.

Obrigada ave rara!