2010-10-23

Dentro do nome

É mais ou menos assim o instante em que nasce o amor: a mulher não resiste à voz que chama sua alma amedrontada; o homem não resiste à mulher cuja alma se torna atenta à sua voz.

Kundera, Milan



Na quase inexistência de traços
Ardente luz da manhã febril
Inclina-se na foz dos sonetos
E mudo hino do núncio assegura
Embora intitulado de caminho espinal
A música embora onipresente
É apenas a vida lapidante
Pelos invernos no erguer:
Tente outra vez !?
Entre a saudade o silente palpita
O céu que alerta uma tempestade
Curva-se para o penetrante chão:
as pegadas dos dias dourados
Única fechadura que cabe na chave
Sim do cair sobre os joelhos imagens
Afinal apenas uma página no diário
Fala-se o não difícil ver
A memória das linhas acaloradas
Cintilante sonho que entra pela janela
Do tempo em refrão,
Dia e noite na fronte o há
[São sopros do vento]
Em harmônicos movimentos
E com grinalda fresca e terno perfumal, ferve-se
[São sonatas do pensamento]
Da tradução secreta dos pássaros
A paixão secreta infindável,
Banho de pérolas do que acredita
E o sol do poente com voz
Rumo ao rebento aguçador
Da porta aberta,
O alto sinal de identidade
Consolante olhar libertador no assento
Datado dedos orquestrados,
E por coração de primavera
A brisa do sul,
O cálice que embala sementes, refaz-se


Iones Nullius & Canteiro Pessoal
imagem: Sr do Vale

3 comentários:

Cris de Souza disse...

teu nome é sinônimo de verborragia.

ave, cáliga!

beijo na asa esquerda.

Sr do Vale disse...

E assim se faz uma canção, que me desmancha num canto, num encanto.

Canteiro Pessoal disse...

Cris, obrigada por aquecer meu íntimo.

----

Sr do Vale, obrigada por ter pousado no meu território, batido a minha porta.

Abraços preciosos