2010-10-12

saber é saber que não se sabe


Quis, de fato, que o pássaro voasse
E próximo ao meu lar não mais cantasse.
Cheguei à porta para afugentá-lo,
Por sentir-me incapaz de suportá-lo.
Penso que a inteira culpa fosse minha,
E não do pássaro ou da voz que tinha.
O erro estava, de certo, na aflição
De querer silenciar uma canção.

Frost, Robert



Recordar o som do hálito da criação
Com sopro o banho espiritual
Numa folhagem onde tudo encharca
E cheio de água na vestimenta
Ambiente produz o gestar da vida
Olha-se para a pintura de geografia
Ante a unidade original
Mas expresso as linhas descasado
Não supera recuperar o estado de ruptura interior
E do caos se projeta o racional
Com intelectual a particularidade
Perde a vez da escrita úmida
[Risca-se !]
Das palavras como sons de ponte

Em experiências visuais e vivenciais
Recapitula-se de mãos na força dos traços,
Luz e sombra

Que se entrecruzam
Música transfigurada de órgãos
Do agora sempre renovo pensar rendido
Cores e formas da articulação livre e dinâmica

. canteiro pessoal

5 comentários:

Cris de Souza disse...

Sei das tuas delícias...

Teu espaço é um banquete literário, me farto.

Beijo, ave raríssima!

Lúcio Ferro disse...

Gostei desta parte, tem potencial: "...Das palavras como sons de ponte/Em experiências visuais e vivenciais/Recapitula-se de mãos na força dos traços,/
Luz e sombra [encasteladas]..."

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João Lenjob disse...

Curioso o primeiro poema é triste e muito vital ao mesmo tempo. O segundo é tudo de bom!!
Tem cinco poemas novos em meu blog http://lenjob.blogspot.com e lhe apresento o Castelo do Poeta, http://castelodopoeta.blogspot.com, um super canal interativo de arte. Me fale o que achou, viu?? Abaixo poema.

João Lenjob

Na Nossa Tela
João Lenjob

Se quiser o céu numa tela
Eu o trago até você
Eu lhe dou pincel, tinta e uma aquarela
E as cores, dá você
Venho com estrelas, cometas e uma lua bela
Mas o sol, traga você.

Dance no céu, pintando como bailarina
Que sou platéia pra você
Seja a pintura mais pura, doce menina
Que sou menino pra você
Dê-me o amor da arte mais divina
E do amor faço você.

Ame menina, na nossa tela
Aquarela, eu e você

Se por acaso alguma cor lhe falta
Eu faço em verso pra você
Viro então um poeta astronauta
E fico no céu pra você
Enquanto pinta a nossa pauta
A poesia é feita pra você.

SAULO PRADO disse...

Som luz e cheiro
Com o eco se desfaz o primeiro
E no frio barulho do vazio
A arte se encontra e meu delírio...

Toda vez que passo em seu canteiro eu colho versos que me enchem por inteiro...

Vieira Calado disse...

Olá, boa noite!

Nesta minha 1ª visita

achei o seu blog

variado e interessante.

Saudações poéticas.