2010-10-24

Verborragia

À ponta do lápis o traço. Tento abrir as comportas, quero ver a água jorrar com ímpeto. Quero que cada frase deste livro seja um clímax.
Lispector, Clarice



Do alto, a complexa história, e almático a perca da voz quando asas se fecharam para abrir-se celeste. O primaveril de boas novas das infindas palavras em condução ante a bandeira do perdão irresistível. De lágrimas, perdas e decepções, entrar no romance com busca e encontro da presença viva a consumir espaços vagos, cuja fumaça dos automóveis envena os pulmões, e conduz a respiração em composições sem se atentar na arte do lugar secreto, que de dentro fala ternamente o silente das árvores. Das sombras, fora da escuridão para a luz, o cercar da misericórdia ao completamente unisso do presente ser futuro absorvido, e com arranjos convidativos de conjugação plena na ponta do lápis que desliza o romper da aurora.


. canteiro pessoal

2 comentários:

Sr do Vale disse...

A metáfora do dia rompendo a aurora.

Valéria Sorohan disse...

Poucos conseguem lapidar as palavras para conseguir expressar tanto sentimento.

BeijooO*