2010-11-01

Além do ponto

— Deixa que a loucura escorra em tuas veias. E quando te ferirem, deixa que o sangue jorre enlouquecendo também os que te feriram.
Abreu, Caio Fernando


disse que respirar o ar do sangue, o ver-te correndo dentro das veias, torna-se irresistível: metamorfose. cada gaveta olha na retina, desce-se junto ao sol e em silêncio a psicologia deformada sai de cena. momentos do frescor e confronto, lugar de intimidade, faz com que o amor cresça dia a dia e não se assassine a claridade. da simples entrada, temporal e espacial, zela o que se tinge e de importância o sinal expressa a convicção da entrega total. com seus próprios olhos de pulsação se vê, e se vê com tato humano por esperar o mais do vaso transbordar pelo revelado. a história da borboleta enlouquece, e som desligado somente está o tu dos dedos. e com necessidade de repouso, brota de dentro manancial atrás das cortinas. do outro lado da tarde, as primeiras horas da contemplação com gosto de caqui. a tal ponto, mergulha-se à porta e até as janelas, percebe-se a chuva nas pupilas e envelope se abre. através das gotas da chuva desarticulasse e toca a cronológia dos fatos. de repente, consegui-se ir adiante no além das palavras e gestos. a febre do acreditar, apaixona-se.


. canteiro pessoal

2 comentários:

Suzana Martins disse...

Adoro os pensamentos de Caio Fernando Abreu!

Seu canteiro pessoal e as suas deliciosas palavras que chovem dentro de mim.

Estou amando vir aqui!^^

Beijos e excelente feriado

Pablo Rocha disse...

Muito bom!!! Intenso e repleto de insitação à reflexão!

Parabéns!! Voltarei mais vezes.