2010-11-06

o mel dos olhos

As ondas quebravam uma a uma
Eu estava só com a areia
e com a espuma
Do mar que cantava só para mim.


Andressen, Sophia de Mello B.


pés nas venezianas abertas
por mais atenção de canto
os vaga-lumes na sacada
tornam-se vozes na simentria do canteiro
o vendaval sussura o quê
a sentença dolorida de pé
com dosagem das pressões,
flecha certeira entre cada pôr-do-sol:
por que da renúncia às palavras ?!
os contornos datados, olhar quieto
dentro do silêncio a intensidade,
a que se prende e a que se voa
denuncia-se a cama extraordinária
de isca ante a cabeceira
retorno do prazer jardinado
o que se contempla, multiplica
deixa-se ficar mistérios
e dócil de quarto falante
elemento em que a vida,
repete chamas e alcança mais
suspira-se dentro do lago
a lua altíssima o romper
fluir entrelaçado e grão do delírio
o anel a casa fazer morada.

. canteiro pessoal

4 comentários:

Gilson disse...

Muito lindo mesmo.

Abs

Sr do Vale disse...

Ontem explicava ao Noslen, como se lê Priscila.
Degusta-se frase a frase.
A originalidade em comunhão aos sentimentos.

Canteiro Pessoal disse...

Gilson, obrigada!

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Sr do Vale, a cada dia, surpreende-me!

Moa disse...

Hum, ler seus poemas é como estar num balanço de criança com os olhos fechados e sentindo cada verso vindo e indo como o frescor do vento,
É tudo de bom.
Bjim.