2010-11-21

Pomar de romãs

Levanta-te, vento norte, e vem tu, vento sul; assopra no meu jardim, para que se derramem os seus aromas.
Cantares 4: 16


Uma noite fresca,
de lua cheia num gole do oásis.
O cruzar dos olhos nos olhos sedentos
fronte diálogos do tango.
Da luz retinada que,
absorve-se olhando pela janela
o balanço dos passos,
o que se renova sem rotina.
A luminosidade do sonho sobre fidelidade -
encontros secretos
os lábios como fio de escarlata
e falar doce.
O convite íntimo do jardim
de tatos duradouros.
Do sentar à mesa,
mel e leite debaixo da língua
de visão desde o cume sem mancha
e se canta as notas dos papéis,
cheiro das vestes como cheiro do Líbano
com figuras impalpáveis da mente viva
que embrenha ao desconhecido do diário,
abre-se no ouvir as estrelas.
A prumagem que mistura voz,
todos broqueis de valorosos
e se apascenta entre os lírios os seios
no descrever da alma molhada em esboços
de forma intensa e profunda,
compromete-se a olhar a vida
que inspira e expira manancial, fonte selada.

. canteiro pessoal

7 comentários:

Cris de Souza disse...

seus versos são um deleite, cheios de deixas e levadas...

beijo, ave rara.

Sr do Vale disse...

simples assim.

Lu Maria disse...

Querida Pri...
Teu escrever é sempre um deleite!

Paz e bem.
Lu Maria

Canteiro Pessoal disse...

Cris é deleite adentar no universo letrativo e se perfumar, e de encontro banquetear na linha do despir-se das vestimentas cronológicas.

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Sr do Vale, de traçado em vinhedo, 'verdade' no ser simples assim. Quero adentrar no campo e colher as flores do simples. Meu olhar ser águas tranquilas, lábios adocicados e língua com movimentos: o ímpeto para a mudança - interno.

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Lu sua presença e diálogos me regam, faz com que pise em pétalas.

Suzana Martins disse...

suavidade....

Beijos querida

Canteiro Pessoal disse...

Suzana, nardo-da-índia.

Abraços ave rara

Moa disse...

"O convite íntimo do jardim
de tatos duradouros." É assim que me sinto sempre que visito aqui.

Bjim