2010-11-04

Se te comove

Lançam vozes na noite tão ouvidas?

Hilst, Hilda


De laço de fita no quê da questão, no chamado quando se deu conta do mexido à mente, percebe-se que havia aberto a porta para o abandono a casa fazer morada. As noites mal dormidas, cada vez mais presentes, e ao corriqueiro das fases do dia que a caneta já de mala pronta, que como cega tateava a esperança nada verde, razão dos gritos e as batidas cruéis, acometido o último palito à sonolência do salto. O livro à cabeceira encontrava-se empoeirado, quarto de nome isolado por própria imposição, jogado as traças e afastava qualquer indivíduo ao convívio. Seria estratégia para o afastamento ? Será que em algum capítulo de falar profundo as respostas se escondiam ? As notas descosturariam o costurado ? Caminhando na indagação, estudando-a minuciosamente, nota-se que distância é foz em seus atos e, de coração partido as lágrimas esgotaram e repertório é intitulado, repaginado em olhar e olhar. Há compreensão ? Contudo, nas entrelinhas, o receio de estar captura-se, mas... Será o envolvido, relacionado à porta e pedras na janela por entrega total ? Tudo ocasiona o arrependimento e por ser impossível o apagar. A história, sempre como ponto de partida, que leva à estagnação e tempo de voar sem ter tido a coragem pelo adentrar as camadas do reinado, mesmo que na pauta submetesse às prissões e impostos. Das muitas linhas, o cobertor cutucava para atitudes de seda, só que os diversos pontos conotavam a pele: surda ! Observa-se e juntamente em análise, que quando o canal é rompido e aceito, o difícil se torna hiperdifícil. Nas conjugações, as infindas leituras de poesias, contos, crônicas... provocavam certa sensibilidade admirável, que nas pequenezes frações se perdia no ar e voava ao desconhecido. O lago contemplado da janela convidava ardilosamente para desfrute e as folhagens na voz da expectativa abertura, pranteavam, afinal a dureza era tanta, que os pássaros abortavam o canto.


. canteiro pessoal

6 comentários:

Thiago Ya'agob disse...

Os pássaros abortavam o canto: intensidade.

Tão forte, Priscila. És forte, Priscila.

Lembrei do poema de Adélia Prado chamado Órfã na Janela. Conhece?

Mila disse...

é sempre bom ler-te, nos enche de conhecimentos...
Bjs
Mila

Sr do Vale disse...

Ao soprar a poeira, as partículas se elevam, e olha-las em raios de sol até se diciparem.

Canteiro Pessoal disse...

Thiago, meu parceiro de letras, meu irmão, meu amigo e no mais valioso: confidente, ambos né?! No mais profundo, ler-te, ter-te é uma honra, um privilégio ao qual sinto-me agraciada, em dupla honra. A poucos dias esbarro contigo, providência do alto, vossa amiga que não se encontrava nos seus melhores dias, a mente em chamas e bombardeada por todos os lados e níveis, cujo momento ter saboreado um diálogo, gerou no meu íntimo o prenúncio do descongelamento, e por ficar traços da vontade boa, perfeita e agradável.

Ave rara, forte? Os dias anunciam que o forte não anda caminhando comigo e, que preciso me atentar para o preocupante fato de uma virada radical. Como se minha folhagem não houvesse mais brilho, o viçoso já uma questão de morada longe. As doses diárias das letras no abandono, por abandonar a veia que é todo o sentido, pelo que o que o visual tem apresentado. Há um choro reprimido que é sabido precisa no importante sair das profundezas.

Obrigada!

Abraços

Canteiro Pessoal disse...

Thiago, a propósito, conheço o poema, de um impacto profundo.

Abraços em suas asas

Pablo Rocha disse...

Gostei demais. Bem escrito e com um sentido muito verdadeiro e comunicativo com o leitor!

Parabéns!

beijos!