2010-12-09

Faces Nuas

Os primeiros calores da nova estação, tão antigos como um primeiro sopro. Muito antes de vir à nova estação, já havia o prenúncio: inesperadamente uma tepidez de vento, as primeiras doçuras do ar. Esse primeiro calor ainda fresco traz tudo. Apenas isso, e indiviso: tudo.

Lispector, Clarice


Reticências. O tom de voz que escuta. Toque de mãos no sentir. Brilho dos olhos outra vez no acender na branca folha de papel o escrevinhar. O editor no pensar. Impulso tão grande no não parar de ler. Romance do luar em plena luz do dia. Sorriso ao ganhar um beijo. Tal reunir de palavras no traduzir o que toca-lhe o rosto. O segredar ao ouvido e ousante confirmar de quem és propriedade exclusiva. Grito pelo carteiro antigo e novo, chamando seu nome. A casa ampla e profunda. Um alpendre convidativo e que fica no alto de uma pequena montanha, e a vista é fantástica. A vontade de subir e molhar os pés. O virar e acenar para o convidativo. Olhar infinito por sobre o mar ao encontro. Seguro e aquecido levantar. O barulho da arrebentação das ondas nas rochas. Desejo mais profundo e o querer. Cheiro do perfumar amor. A causa do sangrar por ver a partida de outrora. Saudade que apela. Fome de prazer sem disfarçar. O corpo inteiro a se arrepiar quando nos braços foi acolhida. Ego do amar-te e humilde de ser. Céu. Calma. Pele. Proteção. Calor. Sonho. Fonte de alegria. Tudo. Orgulho desejável que opera o tremer as pernas e consome num beijo apenas. Na dançante pausa no diálogo; o edredon no chamado para o dois em um. Há gozo da intimidade libertador e a última que não é último ganhar de ósculo meu e contemplação o equilíbrio do par de olhos. Da linha do n
ão há ninguém, mesmo sem cultura, que não se torne poeta quando o amor toma conta dele.

. canteiro pessoal
. Platão

8 comentários:

Mila Lopes disse...

O ato de amar do começo ao "fim"...
Adorei!

Bjs

Mila

valdivino disse...

Sim! o amor desperta tudo em nós,nos tornamos sensíveis e passamos a nos ver diferentes, de bem com a vida.

bjos.

Jéssica Rodrigues disse...

Sniff sniff, n achei a postagem novamente :( Tem como vc me mandar o link?? *desculpa Beijos, tenha um maravilhoso final de semana

Canteiro Pessoal disse...

Mila, sim! Acrescento a prática do regar em pele.

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Valdivino, o amor opera transformações fantásticas; conduz o ser racional para visão diferenciada e intimal.

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Jéssica, sim!

Majoli disse...

Oi querida, o amor nos torna poeta sim, ele chega, invade e tudo se torna mágico.
Lindo demais, amei.
Beijos de uma deliciosa tarde de sexta.

Suzana Martins disse...

O amor sempre se transforma em versos....

Beijos linda!!^^

Canteiro Pessoal disse...

Majoli, laços da doçura. O vinho de ósculos da intimidade e que afaga o coração. Abre portas. A luz penetrante.

[...]

Canteiro Pessoal disse...

Suzana, o amor é muito mais que transformar em versos. 'Amor é o olhar total, que nunca pode ser cantado nos poemas ou na música, porque é tão-só próprio e bastante, em si mesmo absoluto táctil, que me cega, como a chuva cai na minha cara, de faces nuas, oferecidas sempre apenas à água'.

Brandão