2011-01-10

Campo Ardente


Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? Eu adoro voar!

Lispector, Clarice


Dos pássaros que cantam nas mais altas árvores para a vida humana, com o bosque que não se tornará triste se só nos museus e galerias residir. O outono as uvas e o vinho, o ser do sangue derramado nas notas diárias e escritas numa onda de luz, que das areias do deserto para o lugar onde se está redescubra o tudo nas partes e das partes refaça dando espaço para o sopro rascunhar o chamado azulado, reescrevendo o oscular desvinculado do sistema. E, que faz a lua refletir o sol toda noite estrelado do foi e ainda será dos louvores soarem das folhagens que vão montar a brisa para a fé necessária, para orar e cantar o céu pintado que, para o olho em lua cheia na voz da borboleta na parede falante o porvir.

. canteiro pessoal

3 comentários:

André Silva., disse...

Sem dúvidas, na minha opinião, o melhor texto que aqui já li até hoje, Priscila.

''Dos pássaros que cantam nas mais altas árvores para a vida humana, com o bosque que não se tornará triste se só nos museus e galerias residir.''

E para aqueles que não cantam, há de nascer o sol juntamente a lua para demonstrar a eles a união dos controversos, forjando assim o cantar dos não cantantes. Surgindo da escuridão do ser para a plenitude do amor, em caminho da luz que reina sob o vasto campo que a lua carrega consigo com todo o seu louvor.

Abraços confortantes!

André da Silva

Menina no Sotão disse...

E o vento que passa por aqui me leva com ele por cima das coisas humanas que se iniciam quando os olhos esquecem da realidade e os braços imitam os pássaros. É bom voar...
bacio

Paulo disse...

Palavras contracenam com palavras e teatralizam a vida que é bela e mediocre ao mesmo tempo, envolvendo os pensamentos nas melhores folhas em branco de blocos, onde desenho pássaros que voam e se transformam em borboletas que "borboleteiam"

Belo texto poeta.