2011-01-18

com efeito - os órgãos

Explico-me. – O olho indica-nos as dimensões, as formas e as cores.

Maupassant


As mãos no dia em que der dá datado com razão de águas profundas, que convidante a saltar e do salto trêmulo se consegue atravessar o além do corpo; o despertar no amplexo parado a olhar a beleza do canto. Das certezas entre lírios e revelações em que o seio e as minúcias são o gozo, sempre ariscadas ante um vale, e das cidades de estradas rigorosas onde o amor é escrito com lençol uno pela fragrância em pena do andares – do quarto o uso do verbo. Sobre os pratos e as taças as leituras vastas, do riso que fala ponte, num olhar de águia. O mar próximo a brotar na viagem de bicicleta pétalas coloridas, pela geografia as formas curvas que se aumentam, ao todo da beleza crescida e madura. Os lábios nas bordas do morango, com ar de passeios pausados a dizer metáforas – doce acariciar da ponta dos dedos. Os gestos e exclamações, embarcações como porto pelas manhãs exalando o paladar reencontrado das correspondências seladas, ante os vaga-lumes que osculam e não põem gelos; calmo abrigo que prostra as linhas na copa fronte crepúsculo leitoso no sol enluarado, com borboletear das paisagens e cada gota em sobremesa; beber intenso de leite sob a via láctea – a dança do chapéu florido.

. canteiro pessoal

9 comentários:

Cris de Souza disse...

meu zeus, me deixas boquiaberta! sensibilidade que me causa espanto, nobre voz que me entontece, presença de espírito que me enriquece...

obrigada, admiro-te muito, muito e muito!

sinceramente, cris-tal.

beijo, ave raríssima.

Canteiro Pessoal disse...

Cris, boquiaberta cá estou, pois o enredo do que li e reli com belo projeto à quatro mãos, causara-me reverência, e por adentrar nas entranhas que falam e ignoro, proveniente a razão que permito estar no pódio.

Abraços

Suzana Martins disse...

As ondas desse mar de palavras tranformam-se em tintas, detalhando na areia as sentimentalidaes de quem docemente escreveu...

Beijos querida!!^^

Pâmela Grassi disse...

Pri,

A imagem que transcede teus escritos, rimou com o convite que velho que fazer. Cores!

Fiz um novo blog, para divulgar um pouco da arte que minhas mãos tecem!

http://cirandalavrandeira.blogspot.com/

Beijos!

Canteiro Pessoal disse...

Suzana, as ondas esmiuçando a pena ante o leito oculto, que dos olhos se faz falas em detalhes, casando-se com o sentir das quatro estações.

Abraços

Canteiro Pessoal disse...

Pâmela, as rimas surgidas das variadas marcas.

Abraços

Jorge Pimenta disse...

a garrafa engana o corpo. é barco de mensagens sem voz que hão-de desabrochar nos olhos do náufrago incauto. delícias e prazeres ou tormentas e aflições?
as ondas batem no vidro - toc toc toc - enquanto espreitam o sol matizado na janela verde. não há resposta. do bilhete, apenas o papel (agora amarelecido pelos malmequeres do verão). nunca soube se a tinta que fecha a urgência é indelével ou transitória. ainda assim, sou capaz de adivinhar: aquilo que um dia juraste caber dentro de mim já nem cabe sequer dentro de ti. é apenas um resíduo plantado no fundo fosco da garrafa. sonhos ou quimera? desejos ou desenhos de uma realidade que mudou juntamente com a maré? juras ou mentiras? que importa? a garrafa é, hoje, toda e a única realidade.
beijinho, amiga-musa! a larinha e tu num mesmo post é combustão inebriante!

Camila Lima disse...

Bonito e reflexivo!

Canteiro Pessoal disse...

Jorge.

Não há musa na qual chamas de amiga, palavra a qual carrega um valor grandioso e pouco se encontra no globo, assim como a frase universal: - Eu te amo! Que está tão sem significância aos racionais. Digo-vos, os dedos são horrendos, juntamente, com um coração em luta constante consigo, para escapar do futuro incerto, volátil, competitivo, apreensivo e trabalho mental forçado. Caro 'docente' um ser fronte os mergulhos que o piano concede numa parceria indelével, com saídas do sistema que fabrica novos escravos, na qual os cômodos se tornam mananciais, e as paredes se repitam pelo oásis do dito nome recheado de ideias e viagens, mesmo estando perante a garrafa que engana o corpo. Com as velas à mesa lendo as missivas deixadas, despertadas dentro de uma xícara de chá, em que podendo ver milhares de olhos, mas se o principal par de olhos não for degustado como um bom vinho fica sem sentido a essência das quatro estações. O barco de mensagens sem voz ante as pétalas viçosas com incontrolável sentir no núncio de delícias, prazeres, tormentas e aflições, afinal a mala da vida é que promove a abertura dos presentes. Das ondas que batem no vidro o papel recanta a dança, e as madeixas enquanto espreitam o sol matizado na janela verde, enamora as respostas no capaz de supor 'aquilo que um dia juraste caber dentro de mim já nem cabe sequer dentro de ti', mesmo que no bilhete não haja capítulo devido o verão devastador - o importante em nulo pautar, e as urgências prevaleçam por um protagonista transitório. E das tantas indagações, como declamado: 'a garrafa é, hoje, toda e a única realidade'.

Abraços

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Camila querida, obrigada, sempre doce e gentil; a reflexão sacode o encéfalo.

Abraços preciosa