2011-01-08

De repente, um lírio!

Era o meu coração que o soletrava.

Ferreira, David Mourão




Do preciso fundamento que com série de sentimentos, pensamentos e ideias o intenso que se dança múltiplas cores e do prelúdio esboço se canta renovável fio na palavra sublime de fixo olhar na flor das notas. Os olhos longínquos e pálpebras abrilhantadas da visão presente que se restaura o oásis do existir, que de livro florido as imagens transportam com mapa labial à porta ante a ação fisiológica. A vida face a face à morte que é lucro, com primaveril vida na escrita do espelho da alma em movimento no tempo que não conclama explicações, mas se manifesta na pesca dos detalhes. O dia que se começa de gama gotiladas e por dentro da casa caminha meditando defronte às voltas ao longo das paredes que se repaginam; recapitulação refletida e absorvida nos traços soprados. Do jardim o habitat que se desabita e se acorda envolvente de linguagens em leito entre a pele profunda e a pele externa na escolha forte do norte, sul, leste e oeste em suas prosas que marcam e desmarcam as curvas.

. canteiro pessoal

4 comentários:

Jorge Pimenta disse...

priscila,
de repente um lírio...
o lírio acomete contra a mão lasciva que o desejou, porque um dia o maltratou, arrancando-o da terra à qual havia jurado fidelidade. gemeu, chorou, entregou-se à noite como se o sol passasse a viver apenas sob as chamas de um inferno que sabia aquecer a sua maldição. e o que fizera para o merecer? nada. as suas pétalas de veludo e o pé viçoso encheram-no de garbo; a si, primeiro; à borboleta deambulante e de asas alquímicas, depois; às mãos travessas, por fim... o mapa? perdido algures entre o horizonte e a mão alheia; os pés? sem raízes que o ajudem a caminhar... já nem o espelho ousa tocar. a desventura é a sua derradeira companheira.
um beijinho, querida poeta de estímulos imagéticos infinitos!

Analuz disse...

Atualizando as leituras...

"Os olhos longínquos e pálpebras abrilhantadas da visão presente que se restaura o oásis do existir"

Que bela imagem... um paradoxo existencial...

Beijnho de Luz!

Suzana Martins disse...

De repente o coração inventa formas e momentos que se encontram num oceano de vontades. Ou num oásis de ilusão...

Ah... como é bom voltar e voltar e ler vc... E sigo "matando" a saudade!!

Beijos linda!!^^

Canteiro Pessoal disse...

Jorge, a melodia ecoante em seus dedos adentra nos meus poros, os meus olhos por percorrerem o incomum entre uma nota e outra e, faz-me agasallar à luz do sol de forma tão viva e aquecedora, onde os pés se afundam na areia e se enlaça o canto das ondas.

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Ana luz, que alegria receber-te, saudades de seus pousos, não suma jóia rara!

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Suzana, o que pinta sempre ativa no aprofundamento e na preparação de um banquete, és uma rainha querida!