2011-01-11

do paladar?

Há uma borboleta pousada na parede que persiste dias e, que carrega em asas o livro, da qual na sonata bem com ensaios de amor se alcança um atributo em horta. Do posto em branco a tremer o que se lê em raiz, com o mel a derreter deliciosamente à boca do que há redito consoante o número de vibrações. O que precisa renascer em tons azuis ante a voracidade que aperta, e do pó prateado o barro é lapidado pela reconstrução das camadas, que de linguagem do coração, irrevogavelmente se adentra no semântico dos mistérios ocultos. Numa língua apurada, sair-se-á voando sem medo do que rodeia e da noite penosa com noção do ruído, do sabor e do odor. Ao fio de madeixa que os sentidos revelam de tato limitado com ar lingüístico a perceptível nível selvagem interiorizado à deriva, do há no aparente vazio e, entra-se na concha pelo choque a atmosfera da pele para anotações do falso, possível e duvidoso - inteiro ? Da alma deslizante no corrimão faceada a cabeceira das teias que se linhas os fenômenos por abrir os dedos ante as ideias absolutamente cabíveis aos órgãos.

Canteiro Pessoal


Tu eras também uma pequena folha
que tremia no peito
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue
falaram pela minha boca
floresceram comigo.

Neruda, Pablo

5 comentários:

André Silva., disse...

''Sentimentos são palavras jogadas ao vento, por onde sobrevoam locais que estão distantes de nós. São palavras sem rumo, assim como as folhas. São dizeres ditos, mas sem um porém exato. Do sentimento das palavras ninguém sabe mas, um fim do qual que consciente elas irão ter. Ter o que dizer, quando ditas seguindo o rumo certo e não incorreto ao coração.''

Ótimo texto, lindo texto.

Abraços confortante,

André da Silva

Suzana Martins disse...

E as asas, em sua metamorfose, renascem em todos os tons, vibrantes tons... sons...
Alma que escorre em asas e se ronova a cada pôr-do-sol!!!

Beijos linda!

Luciana Marinho disse...

canteiro pessoal, muito grata fico por tuas palavras plantadas no máquina lírica. amei as referências que encontrei aqui, como neruda e lispector. mas o que me fará voltar, é a densidade e o acordo inusitado entre as imagens que surgem de tua escrita.

um abraço!

Pâmela Grassi disse...

Canteiro pessoal,

Estou lendo pela primeira vez a Clarice e ela está por aqui, entre as tuas palavras,

Beijos

Valéria Sorohan disse...

Lindo, doido, abusado, como é a sua poesia, a sua criatividade.
Saudade de ler seu blog.

BeijooO*