2011-01-07

esplendor


A velocidade do apalavrar como Fênix reconstrói o dicionário, que de gerações a forjar o amor no aço do rancor, com pequenez véu de contemplação entre a redenção, faz o oceano a gemer sob as asas. Há sempre uma ausência que se instala e de tão precisa clarea a pele - o prisioneiro, descobre-se ? [re] descobre-se no breu uma constelação, e de notas faz a casa reflorir o que desapercebido no tempo o renascer da alquimia. Pássaro ferido é paraíso no que quis sair de si pelo preto e branco que deixara de estrelar em pena. Na poética adormecida, quando o frio vem aquecer o coração na memória, o sujeito que abre portas com a noite se faz nascer à esplêndida emoção. Das linhas o tapete vermelho abortado, com olhos molhados em regar revelado passarinhar e jogar as iscas do transpor as leis face a face às grades que se desfazem com sopro. A música que reativa a dor perfeita ante o imperfeito ego mortal fortemente nas pétalas, que de perfume da escrita trovão, relâmpago e raios, com sinais remodelando o alfabeto por uma borboleta na parede que fala o porvir, e dos vôos denuncia a página do adeus, no selado maduro. Dos livros não entendidos, o sol rascunhando num chamado azulado e que reescreve oscular desvinculado do sistema.

Canteiro Pessoal


terei ido a tempo de assistir ao parto das árvores
que sabem germinar flores e frutos
no silêncio do mar?

Pimenta, Jorge

11 comentários:

Jorge Pimenta disse...

querida priscila,
ainda arrepiado por esta tua leitura alegórica, onde os sentidos e os seus tidos extrapolam a lógica verbal para se inscreverem, exclusivamente, em alfabetos que elegem os batimentos do peito como maiúsculas mais-que-perfeitas.
é como dizes: o oceano geme sob a pele e a ausência cola-se à superfície da derme. o único ruído que perturba os tons gris da tela são leves e breves, quanse indistintos. talvez uma aranha esfomeada sobre uma borboleta perdida...
a teia? incinerada nas asas coloridas.
as asas? bateram com estrépito e elevaram-se na cinza do céu.
um abraço e um arrepio por te ler!

Canteiro Pessoal disse...

Jorge, da leitura alegórica os enunciados são como os leques que se abrem, e em cada movimento se diz e re-diz com voz através das retinas e, do transportar-me para o recôndito onde o vinho brilha repaginação, recapitulando minhas paredes, no arrancar preciso do hostil [perverso, egoísmo] alojado em meu caráter. E, através desta veia, ser chamada de banhada do sangue pelo verbal comum ao inverbal incomum, com traços das gotas despejadas nas madrugadas longas, quentes e frias ante a cabeceira das borboletas falantes: o oceano geme sob a pele.

Abraços

Jorge Pimenta disse...

são as vozes aspergidas em leque sobre a borboleta que, mesmo com as asas perdidas, teima em querer voar. talvez na pluralidade destas marés enunciativas se consiga tocar a exclusividade das sensações... sob e sobre a pele.
um beijinho, priscila!

Suzana Martins disse...

Priscila querida, as suas palavras têm alma!!

O seu versear rrecheado de letras perfeitas encontram o azulado mar e modifica as ondas que parecem livros.

Você e suas palavras perfeitas!!!

Beijos no seu coração!!^^

Canteiro Pessoal disse...

Jorge, de repente, um lírio borrifa visão presente que se restaura o oásis. E na loucura absorvida dos traços soprados sob e sobre a pele, grita-se a escrita do espelho da alma na pesca dos detalhes, e se aponta o lápis de cor sem ter fim como reflexão familiar; dias surgidos das cinzas e de gama gotiladas líricas fronte as asas teimosas às voltas, com mapa labial à porta ante a ação fisiológica.

Abraços

Canteiro Pessoal disse...

Suzana querida, seu pouso sempre traz alegria e aquecer em todas as áreas, e das ondas o meu livro se abre ante a face que marca e desmarca.

Abraços infindos.

Menina no Sotão disse...

E as esquinas por aqui constroem sombras e inventam temporais. Eu sou pura semântica e passo por tudo isso como se ainda fosse aquela menina de pouco anos e meia dúzia de fios de cabelo. Eu vou mais além, atropelo poças e tento saber quem sou. O espelho não diz, mas os pássaros cantam meu nome e eu vou com eles pelo infinito, passando por entre nuvens de cor cinza, feito fumaça, ou carvão a queimar nas clareiras da vida.
Bacio carissima

Camila Lima disse...

Bela reflexão!

André Silva., disse...

e do amor a luz transparece a todos aqueles que se sentem no lugar ideal da reflexão. Ali, enquanto houver a contradição, pois desta, haverá o entendimento dos entendidos por sí só.

''Pássaro ferido é paraíso no que quis sair de sí pelo preto e branco que deixara de estrelar em pena''

Lindo e ao mesmo tempo, magnífcio. Novamente, fico sem palavras por ler, tais palavras novamente. As palavras mudam, as as versões serão sempre as mesmas. Os pensares, o caminho a seguir o rumo daquela palvara jogada ao vento, tem sempre um destino certeiro.

Abraços.

André da Silva

Paulo disse...

é um texto que demonstra toda pompa em suas palavras, versos e significações.
Entrelinhas abstratas que levam a reflexões.


Beijo, Pri

Canteiro Pessoal disse...

Menina no Sotão, saboroso o que escreveste, estou em delírios, pleaseee... agracia-me sempre com esse seu canto, pois muito me desperta do sono profundo.

----

Camila, obrigada pelos seus pousos, és linda querida!

----

André, sua escrita é primaveril, e me casa muito bem.

----

Paulo, apaixonada pelo entrelinhado que traz à tona a face literária em reflexões.