2011-01-18

Na cozinha: trigal.

Do nulo saber a pergunta alinhada à busca que, afina-se nas cordas de olhos quanto mais à resposta. No chão das palavras, a memória sem freio, recorrido à ponta dos pés da bailarina na periferia que corre o centro das manhãs sem mover. Deserto e mais deserto de bruma nos sinais, muda no ponteiro que não ata nem desata. A aragem com voracidade numa pressa amarga do lá primaveril desfeito, como os pássaros que se desprendem das asas. O vazio aniquilante faceado de coágulos rompidos, com estrelas no mecânico e, ingeriram-se fezes por visão mutilada às noites e ecos do silêncio. Viagens sem expressões num sorriso falecido, que pela perca do manto a flecha cumpre o papel – mata o cordeiro, e o tempo se faz no antigo, que destroça como residir em desalento. Da pedra no caminho ante o íntimo da morte; de sabor rasga o útero de largar para aprender a morrer fazendo a travessia, que cospe a terra para as sementes. No alfabeto com monção anti-serena, escondida nos labirintos do versar que não se permeia pelos loucos racionais de língua solitária, costurando um outono atípico. De dentro para fora com tremer da hipotermia; o musgo no fundo da alma que lentamente de luz e sombras, a ânsia de liberdade – o bilhete da identidade.

Canteiro Pessoal



não sei quando nasci.
como ontem,
hoje o nome estremece no arquivo
ao lado de anagramas e estações do ano.
como ontem,
hoje o rosto no espelho
assobia lugares estranhos.
hoje,
ao contrário de ontem,
esta carne mascara-se de cera
e despede os músculos e a alma
numa ejaculação que engravida a terra e o vinho
[tenho-os secretamente guardados num frasco de vidro
com uma etiqueta perfumada.
creio que tem escrito “coração”…
ou “coroação”?...].

Pimenta, Jorge

6 comentários:

Juan Moravagine Carneiro disse...

Gosto muito daqui... e de minha amiga!

bj

Jorge Pimenta disse...

priscila,
são nomes que rutilam, que rangem, que vociferam e que rasgam todas as coisas que nos prendem, quais etiquetas no forro da identidade. chorei antes do nome; gritei antes da fala; descobri o ar antes de morrer. e tudo sem costuras, marcas ou cicatrizes. e no afã da escalada a uma babel de pó, tudo aprendi... e tudo perdi. ah, falsa essência aquela que se nos impõe no chip social que nos costura. e a mão, aos poucos, atrofia na letargia existencial, como se o murro fosse argumento mínimo para os pugilistas e maior para os poetas. quem é louco? quem tem identidade? sobra o bilhete... para onde, pergunto eu...
beijinho!
obrigado, querida amiga!

Canteiro Pessoal disse...

Rafael, a vossa casa que diz a esta geração em profundos sinais de uma aurora que sobrevive ante os ataques da comunicação do sistema, olha-se o que se caminha pelas ruas para os secretos intensos que em alquimia nos rios afáveis, com passos simples ao brilho no olhar.

Ps.: Sou apaixonada pelo seu cantinho!

Abraços querido.

Canteiro Pessoal disse...

Jorge.

Com sinais de um dia límpido a garrafa atirada ao mar num quente fim de tarde, alguns minutos antes das gotas terem começado a regar o solo para cumprimento. De flutuar sob o efeito de furações e tempestades tropicais, que chorado no outrora do nome; grita o abrigo ideal desejável para o que dentro perfuma e não exala. Como todas as garrafas que de núncio ao bilhete, frágil em essência e quebrar-se-á quando cair a alguns metros do sangue em foro íntimo, mesmo devidamente selada e atirada ao oceano, assim acometido com as etiquetas no forro da identidade que, torna-se mais navegáveis de que o racional tem conhecimento e 'de balouçar-se no topo das mais perigosas e turbulentas marés', descobri o ar na morte que aborta o capricho fronte a lados opostos do globo.

Para onde uma garrafa poderá viajar? e isso faz parte do seu mistério.

Abraços

Suzana Martins disse...

Um bilhete que vai além das palavras!!!

Beijos minha querida...

Eu perco as palavras quando chego aqui, pois as suas letras são muito perfeitas!

Canteiro Pessoal disse...

Suzana, o bilhete na face do mistério, que aguça os sentidos.

Perfeitas? Não! Para me auxiliar a cartografar os mares, no arrancar da cegueira do comum.

Abraços