2011-01-30

o lembrar dos violinos


Escrevo como se estivesse dormindo e sonhando: as frases desconexas como no sonho. É difícil, estando acordado, sonhar livremente nos meus remotos mistérios.

Lispector, Clarice


O manto da noite à casa de janelas falantes ao banho demorado; pela garganta declarações sob o sagrado cantarolando, como nos poemas ? O som de limpeza da alma com o aroma do café, e se traz em pinturas nobres que ilumina o pensamento - caledoscópica ? A vinda do estrelar que traz saudade em dosagem de reflexão para filosofar. Da mutação fascinante a salvar os registros, e com ar de mistérios toma conta do céu ou o céu toma conta do dentro ? O segredo do cofre, de grão em grão para progredir, livro, lápis e caderno de esperança anticalar tão palavra, não há receio do ridículo - loucura no amor ou razão na loucura ?

Canteiro Pessoal

[Jorge Pimenta]

4 comentários:

A.S. disse...

O teu belo texto acaba destacando uma frase. "loucura no amor ou razão na loucura ?"

Eu acho que são as duas verdadeiras!!! A segunda afirmação justifica a primeira...

Beijos...
AL

Jorge Pimenta disse...

querida priscila,
cada texto teu, porque muito mais que isso - texto - é sempre um desafio renovado. não conheço muitas pessoas como tu para quem a palavra é a gruta subterrânea de galerias intercomunicantes que apenas projectam sombras verbais sobre os labirintos do dizer, ampliando gritos e aniquilando silêncios. e, na tua voz, a metáfora é o homem; e, na tua boca, a alegoria é o deus que ama o homem. e, pela tua mão, o homem ousa amar o deus, despido das metáforas mas investido dos artifícios de prazer que o hão-de tornar homem-deus [que não deus-homem].
a sua nisa sagrada? o papel onde luxuriante se reescreve a cada movimento lascivo das letras, a cada sussurro da alma, a cada insinuação do corpo, a cada espasmo do sexo.
e ali, a pedra é apenas gemido.
e ali, a água é apenas canção.
ali, as árvores são apenas baloiços.
ali, as aves são apenas bandeiras.
mas, ali, o homem é muito mais do que um homem... e do que um deus.
um abraço!

Canteiro Pessoal disse...

Jorge, como escrevinhei no matutino de forma em que não houvesse reservas, para o dentro tão dentro, na perca de cada leão, assim com o aval - entrega - vencer os muros que assolam, no âpice proximal em banho demorado, juntamente os olhos perdidos em ganhos enamorando Lorca:

Alma,
põe-te cor de laranja!
Alma,
põe-te da cor do amor!

E nesta somatória, com multiplicar permanente, a suavidade das pálpebras que se sentar residindo nas alturas com manhã verde, muda a visão, adentra-se no curso das muitas águas. Da chuva à face em mãos sussurrar com calma o hálito que acalma na beira mar do constelado de brancas gardênias; as sombras contemporâneas do dentro ao sol se abrindo para receber o agasalho à alma. E nos longes, ante uma tarde desvergonhada o tranquilo lembrar as páginas, abrigando pipas telando o arco-íris. O fores do caule dançante pautados nas promessas, que ao som de flor não há silêncio bastante nas sapatilhas pintadas de azul. Lá estará o céu, que com sorriso diferencial colhe o arrepio nos eis que renascer por sede intensa, quanto o mar nas cores da madrugada rumo à casa de pedido vinho tinto.

Abraços

Suzana Martins disse...

O som das palavras no teclado versaram o aroma do café numa manhã de muitas gotas. Grãos de versos que semeiam o coração!!

Beijos minha querida