2011-01-19

Que dizer do gosto e do olfato?

Do arroz e o feijão no prato escasso, a história longa e exata com alucinações e aos sofrimentos que atormentam. As paredes trincadas por um futuro incerto, dado ao fato das mãos nos facões dilacerando o verde, a olhar com os olhos abertos a vida e cegos do racional. Os frutos que revigoram as pulsações, sem se espantar e incompreender; nulo gozar dos lábios das gerações vindouras. Dos sorvetes derretidos em que doutor descumpre as funções de existência, e vários pedaços do globo no ditado assinando mudança de itinerário, com redundante foz na lacuna plantada dos dias mal vividos, distribuídos de maneira nada igualitária e honesta. O travesseiro desconfortante, o que rodeia apercebido que tudo é falso, ante um teto desfeito e proposta no imposto da promessa de reais aplicados em demora, e a sofrer cortes que deixa os sonhos desunhados perante lágrimas abortadas; órgãos entregues a banquete na máquina do sistema. E corações ao partido, lançando-se em decisões sabidas que são despreparadas de inteligência e sobriedade, em que a claridade não entra e se faz noite e, base sobre uma construção que a água do mar leva o castelo de areia. Das xícaras vazias, entre o universo interior e exterior, os filamentos nervosos de um gole fazendo encenação numa tela com rasuras, e os minutos avistam o abismo, avisa-se que avizinhar na parcela donde resulta ver nada - o porvir e os fins serão potência. O universo que permanece no inteiro oculto, e em soluções de trovões – animálculo a gota de água, a estrela que habita o espaço pelo ladrão na calada da noite do odor enxofrado as vestimentas, rasga-se. Com os grilhões a postos escrevinhando notas de uma nova constituição que beneficia o umbigo. As cores que não há, por olhar constituído de egoísmo que transmite ao cérebro o que se decompõe segundo uma química em que os raios não atingem. O assistir do plantio de olhos recriados ao cine, em que o fútil e etiquetado como universal, relações entre a luz e a matéria, sendo absoluto o antropocentrismo, que da classe majoritária definindo o palpado em gastos e inúmeras esferográficas em decretos para serem seguidos numa lógica sutil, e faz a pele se forjar no ego; desrespeitando os espaços e sujeitos inrespiráveis.

Canteiro Pessoal




Olhos goticulados pela chuva no vidro
a folha não aguenta o peso da água
[desprende-se
o telhado não suporta a queda do céu
[desaba
o mundo cai lá fora
e os olhos nem piscam
a atenção é toda deles
até os gritos histéricos
do quarto ao lado
são abafados
a noite troveja alto
os ouvidos morrem em paz.

Amaral, Lara

12 comentários:

Mila Lopes disse...

Olá, boa tarde!

Teus escritos tão bem inspirados, cheios de segredos nas entrelinhas...
Este texto possui uma voz de protesto gritante...

Bjs linda

Mila

Mila Lopes disse...

PS: Visita meu novo espaço
http://milallopes.blogspot.com/

Bjs

CARLA STOPA disse...

Um jardim secreto, como o de Evanira? Adorei...Estou seguindo...

Analuz disse...

... :( ...

Beijinho de Luz!

Canteiro Pessoal disse...

Mila querida, aprazível seu canteirar; a visita feita com gosto.

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Carla e Analuz, sejam bem vindas!

Abraços

Lara Amaral disse...

Maravilha me ver aqui no seu canto de luz, flor, ainda mais junto aos seus escritos tão profundos! Obrigada mesmo!

Beijo, querida!

Suzana Martins disse...

Os trovões e seus aromas, os raios e o seu gosto vibrante da chuva de veraneio que colore a noite.

Das xícaras de chá silvestre, a saudade solitária que rasura o papel com as lágrimas de palavras...

Talvez um amanhecer e a química das respostas!!

Adoro demais as suas palavras!!

Beijos, querida!!^^

Canteiro Pessoal disse...

Lara, maravilha foi ler-te. Um escrito tão forte, que levanta a poeira por debaixo do tapete, com tamanha veracidade, que foi impossível esquivar das notas, onde houve casamento.

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Suzana, és sempre brilhante. E, talvez, aceitável.

Abraço queridas

Cadinho RoCo disse...

Em meio aos pensamentos, tempestades inteiras a desafiarem xícaras e sementes, frutos e sabores.
Cadinho RoCo

Canteiro Pessoal disse...

Cadinho, verdade!

Seja bem vindo!

Abraços

Jorge Pimenta disse...

tive a oportunidade de ler este texto da lara no seu "teatro". aplaudi em silêncio, apenas com os olhos, salgados de lama. e "as xícaras [quase sempre] vazias".
um abraço!

Marli Boldori disse...

Priscila,obrigada por tão rico elogio em meu espaço,sabe que a sua opinião como as demais é que me deixam feliz e firme para continuar.Sinta-se a vontade neste espaço que também é seu.Visitei seu blog,fabuloso,vou ter que me alfabetizar para ler nas entrelinhas, o
conteudo rico e cheio de mistérios.Voltarei,pois não pude ser sua seguidora.Um abraço!