2011-01-31

tão pessoal como teu nome

Enfeitar-me no por do sol dos teus olhos que abre a veia da vida nos meus poros. O que me dá sorriso de longe e brilha dentro, e revela o som do vento. Eu tenho uma pétala que me reveste, e em fotos no tênue fio que delira o tempo - persegue-me; prende-me a ti no voo com direção a copa das árvores ? Para não perder-te de vista com o pulsar do teu coração em minhas mãos, lanço um poema em respiração, sentindo-me em casa, que contém apenas seu nome; da espera dos lábios a explosão do universo interior, e mergulho nos teus traçados, entre sóis e luas, telando o nosso trem na tão chegada desejável. O que há em mim ? Tu ! Em nós, mesmo que nos jantares diários, culpa dos quilômetros a sós. No jardim que o sol adormece com as margaridas em mãos te conjugo e meu pensamento adormece florindo as luzes pela tua vinda, para o meu silêncio nas cores da madrugada, eu, a transparente na dor e no prazer em orgasmos literários com avanços nos relevos da terra. És caçador na minha alma que cativas, deitar-me no berço do horizonte ?


Canteiro Pessoal

Imagem: Sr do Vale


Faça o que lhe digo.
Solte primeiro uma borboleta.
Se não amanhecer depressa,
solte outras de cores diferentes.

Machado, Aníbal

7 comentários:

Desbúruru disse...

Estou só com meus pensamentos,
nada vislumbro a minha frente,
inesiste a separação do aqui,
do agora, do depois, do futuro.

Vejo fotos de solitárias mulheres
em lúdicos locais inalcansáveis,
uma ou outra foto diferente,
demonstra o quão próximo está
a palavra da poesia da magia.

Ser único transbordante de energia.

Valéria Sorohan disse...

O espetáculo de suas letras, aplaudo de pé. Lindo, lindo poema! Meu beijooO' de carinho imenso..

Jorge Pimenta disse...

querida priscila,
quantas cores se exibem no arco-íris? e quantas se escondem dele, por incapacidade de se projectarem além da sua respiração frágil e quase-humana? curiosamente, agarramo-nos ao vigor quente daquelas que cruzam as telas dos artífices da glória e tantas vezes perdemos a singeleza das menores: a cor do amor, a cor da solidão, a cor da velhice, a cor da espera, a cor que não espera, a cor pedra, a cor morte...
e o vinho faz-se químico na garrafa, orgânico no copo, vegetal no ventre. mas, quem ousa contestar? as cores primárias dominam o ser e o não ser; o leão ruge sempre mais alto que o rato e o farol incendeia sempre mais do que a lanterna. e neste arco-íris hierárquico, os homens nem sempre são homens. porque as cores que os pintam não resultam do arco-íris que desabrocha, qual flor em primavera de anis, dentro de si [já nem as flores acreditam em pincéis dourados].
e a espera faz-se longa; e as certezas se põem breves...
beijinho!

Suzana Martins disse...

Lindo, lindo e lindo!!
Não há mais palavras que eu possa usar diante de tamanha beleza. Diante desse por do sol de palavras, de cores em versos e de uma natureza cheia de sentimentalidade descrita no versear dos seus dedos.

A perfeição de seus versos calam as minhas palavras e eu silencio em respeito a elas...

Como são belas as suas palavras que passeiam em mim!!!

Beijos linda

Sr do Vale disse...

um deleite encantado.

Paulo disse...

Conjugo o verbo no presente e foco o futuro que vem logo depois.
Vejo formas de sentir e sinto formas de ver embriagando-me nos sentidos que me dão.
Não me apresento e aguardo tua definição.
Pressinto e observo o horizonte que se esconde, longe ou perto de nossas almas que se vão

Beijo Priscila

Secreta disse...

Fiquei absorta...
Beijito.