2011-01-20

Tema

Estou mud[a] porque todas as palavras te escutam.

Gato, Vasco


Da inspiração slides de dentro.
Acorde das mãos,
o que musicaliza ligações.
Madeixas no coração ao vivo.
O sol nascido assim.
Nuns a flutuação visível,
noutros, submersa.
Das emoções do agora mar.
As folhas e o vento
que levados no elevar;
lua prateada não se segura.
Por asas para o azul.
E dos escombros,
onde cruza o nevoeiro –
o ósculo poema, que é.

Canteiro Pessoal

8 comentários:

Suzana Martins disse...

Da inspiração, o vento
acordes e suas ondas
num nevoeiro da madrugada...
Palavras de asas
que flutuam num poema de emoções!

Como gosto das suas palavras!!!
São perfeitas!!!

Beijos^^

P.s.: Daqui a pouco o seu texto estará no ar.... \o/\o/\o/
Obrigada

Jorge Pimenta disse...

priscila,
de novo o slide onde cabe todo o arco-íris que desenhas com as palavras que tornam a mudez no primeiro dos mandamentos poéticos.
vasco gato é um autor de uma nova geração de poetas portugueses que não tem, ainda, a projecção mediática de muitos outros. a sua obra é sólida e tem uma marca própria que a torna, já, madura e até apetecível em termos editoriais. como o conheceste?

a propósito de leituras, de cal e de peixoto:
"como te entendo. há uns anos, enquanto investia numa pós graduação, fui sentindo um vazio sensitivo enorme e mais tarde, após uma reflexão séria, acabei por perceber que tal em muito se devia ao facto de estar a ser bombardeado por leituras técnicas que, por mais interessantes que fossem, não ajudavam a regar a sede de ajardinar que cada um tem, à sua maneira, dentro de si. depois das bombas, ainda havia os estilhaços, com artigos e pequenos trechos complementares. ter lido, no contexto da investigação, por sugestão do professor, luís sepúlveda ajudou-me a perceber onde residia o desequilíbrio. presentemente, seja qual for o foco do trabalho, há leituras e autores (para lá de pequenos outros prazeres) de que não abdico. em nome da lucidez emocional (possível) :)"
beijos!

Graça Pereira disse...

Priscila
Venho do blog da minha querida Susana, para te conhecer!
Antes de tudo estou de acordo com o teu pensamento:"O quarto é o retrato da nossa alma". Verdade! Quem entrasse no meu, encontraria as palavras necessárias para me definir.
Do poema de hoje que acabo de colher do teu canteiro, trago vida, movimento, janelas abertas ao mundo e a unidade das tuas palavras.
belissimo.
Beijo e convido-te a ires ao Zambeziana.
Graça

Dilberto L. Rosa disse...

Olá de novo, minha cara: continuas em elevação sublime, não?! Gostei muito da sonoridade e do alcance de alguns versos, para além-mar, com certeza... Abração e apareça!

Canteiro Pessoal disse...

Jorge.

Numa manhã relendo o Mito da Caverna de Platão, que apaixonada assino, e, em viagens à busca de um livro específico, onde deparei-me com algumas letras de 'Vasco Gato' e, a frase citada me fisgou e silenciada embrenhei ante a minha face no espelho, com que as marcas no papel de escrevente anunciasse abertura das cortinas, rebobinando um trecho: 'As letras deveriam servir às ideias e não as ideias às letras e às regras gramaticais, como não poucas vezes acontece. As letras e a gramática deveriam libertar o pensamento; ser um canal de veiculação das ideias. Porém, nem sempre as frases e os textos mais compreensíveis são mais justos para expressar as ideias de um autor, embora facilitem a vida do leitor. As letras reduzem inevitavelmente as ideias; os labirintos gramaticais, às vezes, aprisionam os pensamentos. A linguagem tem um grande débito com o pensamento, principalmente com o pensamento psicológico e filosófico' Cury. Na luta diária, afinal 'quero viver e sentir as nuances, os tons e as variações das experiências físicas e mentais possíveis [impossíveis?!] de minha existência', fronte a porta da criação, mesmo que consciente do terrivelmente limitada.

Abraço grande homem.

Canteiro Pessoal disse...

Suzana, honrada!

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Graça, prazer receber-te no jardim, volte quando quiser, enfim, sinta-se à vontade. E, com certeza, degustarei seu recanto.

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Dilberto, que alegria rever-te! E, obrigada.

Abraços

Paulo disse...

Tal qual Phoenix, da mitologia, que volta, volto apesar de não ter ido.Canções ocultam dores que ocultam amores que ocultam paixões.
Voo azul e laranja misturado pelos raios do sol.

Beijo Priscila

Jorge Pimenta disse...

amiga priscila,
essas são as experiências com as letras que mais me surpreendem: tropeçando nelas. a descoberta faz-se com os olhos do próprio expedicionista, sem mapas, bússolas ou cartas-de-marear. e tudo quanto se recolhe é vitória e conquista neste eterno-mar-por-descobrir. assim foi, comigo, a propósito de jorge sousa braga, por exemplo.
um abraço, imensa mulher!
p.s. nem de propósito; hoje estive com a "alegoria da caverna" na mão (estive a espreitar, por razões profissionais, os fundamentos do romantismo; uma vez chegado lá, tive de escalar o platonismo. voilà).