2011-02-18

Laboratório

Noite de fevereiro da lua-de-mel do nada agradável que se enxuga os olhos no guardanapo. A face da morada explicativa em lágrimas entre aspas, atrás da porta por respirar ave morta; o transbordar da xícara à mesa de café na arte belamente esculpida com olhos inchados. O desejável vento a soprar nas madrugadas tingidas, o que no vermelho das raízes de valioso se perdera ? O quarto que está escuro, e da sala de visitas às claras – aproximação da verdade do rasgo. Ao revelar da fotografia que levanta a pele, o tal frio nos músculos, estranho sentido por rebentar o agasalho. E da chuva a sujar todo o preparo, as semeadas estrelas do enigma; há medo ! De si em si os naufrágios das horas apertadas, e a âncora do perfume descalço de uma ausência como pretexto. Ser a vista em flor murcha com o retrato do nevoeiro. O dentro da escuridão do banco do jardim de lá do vento, por que não se jardina ? Jurar o querer - não ! Acreditar o universo chorante de vivenciar a dose onde o gelo corta os pés, e feito mudez as cores baças intemporal. Quente-frio da solidão salgada dos dedos inalcançados do semi-artístico a sentir papel inerte; do egoísmo que embacia o olhar e cerra os lábios. No centro do dificílimo incolor, a ideia do real das cidades transparentes a valorizar cópias; porto do sargaço. As casas criações adormecidas na gola do casaco defronte às brumas; histórias tempestuosas como cobertura de bolo deselegante. Das esculturas os mitos sabem caminhar, caminho manuseado do tempo em baú: o dom do clímax às ossadas petrificadas. As pedras que cobrem os meses alastrados da água que não se fervera compasso em sonata. O lençol desconquistado no desértico registrado em catálogos com murmúrios latejantes, e nos versos sem contorno de laços.

Canteiro Pessoal



Não existe a palavra espelho - só espelhos, pois um único é uma infinidade de espelhos. - Em algum lugar do mundo deve haver uma mina de espelhos? Não são preciso muitos para se ter a mina faiscante e sonambúlica: bastam dois, e um reflete o reflexo do que o outro refletiu, num tremor que se transmite em mensagem intensa e insistente ad infinitum, liquidez em que se pode mergulhar a mão fascinada e retirá-la escorrendo de reflexos, reflexos dessa dura água.


Lispector, Clarice

5 comentários:

Secreta disse...

Confesso que este texto é algo perturbador. Talvez pela intensidade reflectida nas palavras.
Beijito.

Paulo disse...

Ventos, brumas, brisas invadem nossos dias e se acotovelam sobre nossas cabeças tentando dismistificar as velhas conclusões não tão conclusivas a que chegamos.
E os caminhos são indicados mas nem sempre seguidos pela soberba que se nos acomete.

Beijo Priscila

Valéria Sorohan disse...

A vida em alguns momentos pode se tornar chata, mas tudo é dinâmico, nada se eterniza além do tempo.

BeijooO*

Jão disse...

Vivemo experiencias que vão nos modificando, moldando o ser que vamos expor no decorrer do caminho. Temos que disernir entre o que é proveitoso e o que é lixo.


Beijos
Obrigado pela visita

Suzana Martins disse...

A vivência dos dis composta entre a rotina e as fotografias que gritam histórias de um pretérito perfeito, ou imperfeito.

A cada eu me perco em suas linhas e me encontro no meio do caminho...

Beijos, linda!!!