2011-02-13

no canto da boca

A releitura editada do fundo que demarca o tempo. Das nuvens instante breve em razão as melodias na língua, gotículas de luz: toc-toc !? Rosas colhidas no crepúsculo, do som de domingo chuvoso, capta-se o choro antes de dormir com questões essenciais. Um só coro há vida, vive-se por dentro - além do espelho, desmascaram-se os interesses profundos. A genuína face de um ser, sendo cego e surdo, faz-se graça; missivas com imensurável afeição, do sentido vida e da supremacia da alma – letra por letra. O orgulho já não habitável, improdutível ante a terra dedicada ao íntimo passeio, espanta os abutres, e, do oceano se escuta vigilância na maciez do luar. O manto de chuva necessária para iluminar, como tesouro à glória do laço, flutua-se. O ar respira-se pela esplanada à beira-mar, a decisão dos sonhos em resguardo singelo, alinha-se. Da fonte se combina banho de cores, iniciativa de discernimento ante o que se interroga e responde. Não há fugas e desculpas perante a realidade das curvas sussurrantes ao pé do ouvido notas descompassadas; sem aceitar o desleixo que arrebenta sorrisos e borboletas. No chuveiro, lentamente, suspira-se o zelo; a paixão pelos livros e pelas taças. A esplendorosa entrada do toque em brasas enuncia sabedoria do distante tradicional; busca-se o aconchego e atrelar dos frutos do espírito. O casulo finca o endereço à Paris, de casa com vestido florido e dos versos derrama feminino. E vivo no que arde, com algodão doce no azul do céu, à mira das pérolas. Na emoção da despedida do pavor à espreita - derredor com setas, ao paladar à mercê da morte em cheio na cabeceira, por olhos do lacrimejar de transparência mergulhada na contemplação de desenhos traduzidos sob o símbolo matemático do infinito. O pertencer do pequeno e grande detalhe. As nuances do que inunda e se sonda pontos no horizonte, e grita-se reconhecimento do ladrão com odor de algemas e olhos de ganância. O conjunto das armas frutíferas em hálito; fértil solo revelante no subsolo da estação, a descoberta do corpo intenso dos raios da manhã.


Canteiro Pessoal


Recebo cartas notáveis. Elas são abertas, desdobradas e expostas diante dos meus olhos segundo um ritual que o tempo fixou e que confere à chegada do correio um caráter de cerimônia silenciosa e sagrada.

Bauby, Jean-Dominique

9 comentários:

Jorge Pimenta disse...

priscila,
o escafandro mergulha nas profundezas das asas onde a borboleta esconde a lição de voo. escafandro ou borboleta? desejo de voar ou brevet?
a esperança sempre se construiu com mar e céu; é sempre no azul que se borda a bandeira da esperança. hoje, é o encarnado do sangue em esquife que clama pela coroa de louros, onde os vencedores são os eternos vencidos. e assobiamos. e sorrimos.
e estendemos os braços ao ar. e respiramos o ar fétido como se fora perfume de lavanda. e assistimos ao cair da tarde como se se ao cair da morte. onde estão os outros? onde ficámos nós? que musgo é este que me lava a boca e arranca os dentes, na voragem da fome que será sempre isso e nada mais: desejo-por-saciar, fome, privação, ausência e morte.
e tu? onde ficaste tu?
[provavelmente a amolar os cadáveres que bailam nos gumes metálicos dos cutelos; talvez a afiar túmulos sem gente, onde cabem todos os relinchos da humanidade; talvez a lamber os restos pútridos que relâmpagos transvestidos de arco-íris que não param de apascentar os pelos vermelhos que te enfeitam o peito e o sexo. e, no seu sangue, talvez aprender a nadar].
um beijo!

Ingrid disse...

Pricila,
escorre pelo canto da boca o sorriso que denuncia,que descompassa e grita..
e de onde?...
beijos querida..

Canteiro Pessoal disse...

Jorge, nas profundezas embrenha-se a museologia, que de escafandrista as asas sobrepõe ondas. O esconderijo labirinteado por do sol do chamado. Em nascente o desejo inlacônico de voejo se faz pincel. Verde construído amenidade; compromissado mar e céu, que de atuante papel por relembrar simples tom azulado que cola o solado.

[Pausa]

As notas observadas dos vendedores de sonhos, e pelas migalhas o paladar dos outros, nós dentro do pacote-outros. A matéria encarna tal proposta da falácia, a sublimar prepotência. Ao pódio os vencedores eternos - desumanos alimentados pelos aplausos, assobios e sorrisos, que penetra a essência da minoria e destroem-se por serem crianças na emoção, mas abatidos desumanos, pois vencedores egocêntricos, não levaram o brilho, o real sentido do prêmio para o território psíquico. Ao breu, num canto pensamentos falam verdades, enquanto se atolam na lama da angústia, e a abstração dos braços, com notáveis títulos mortais, aguça sentidos, mareja-se o ar. Mas, os gases impregnados, o que se inspira e expira ante as imposições e máscaras a postos, fragranceiam-se sem vermelhidão às maçãs do rosto. Do alimento a ficar entre os dentes, desse martelar que faz ao longo da vida, sob o manto da intelectualidade para adentrar no torvelinho das ideias e ter bordado liberdade de partir. E a boca lavada à percepção das pequenas e bravas andorinhas de voraz fome regida no globo. Mas, a sequestrar: Será sempre isso e nada? Arrebentar-se saltando do topo do edifício? Fica-se dentro do insight, metamorfoseando a tela dos conflitos alojados no inconsciente. Combalido? Mas, não morto; da clara do ovo despreocupar-se com a paranóia da imagem social que pesa, é rígido, controlado pela ansiedade. - Provavelmente - sobreviver defronte à arte infernal, e pela sensibilidade, se há - conquistar? sugar a gota de energia cerebral, e de flecha certeira abalar alguns pilares da teoria marxista e do questionamento, auto-crítica no cemitério com túmulos sem gente com neurônios sem estado de choque, passivos - parasitas às ruas. E de raios, relâmpagos e trovões, tempestade suja e com a graça do arco-íris desbancar o caldeirão das indiferenças - marca de sintomas, síndromes, e assim, o sangue goticular nos lugares improváveis para gerar inconformidade e assinar a imperfeição com incrível acuidade.

Abraços, e agradecida pelas notas que me apresenta, é sempre um descortinar que faz com que minhas entranhas cheguem à mesa.

Canteiro Pessoal disse...

Ingrid, a resposta do lugar está sempre conosco.

Abraços querida

Secreta disse...

Há palavras que nos dão vida.
Confirmei-o ao ler aqui.

Canteiro Pessoal disse...

Secreta, e como há; e acrescento aquelas que nos tiram da inércia.

p.s.: Obrigada!

Abraços

A Escafandrista disse...

ADOREI!!! Jean Dominique Bauby era escafandrista também... adorei todo o blog, escrita profunda, existencial, marcante. Estás nos meus favoritos. Bjs

Canteiro Pessoal disse...

Escafandrista, seja bem-vinda!

Sim! Bauby um escafandrista. Ser que letra por letra compos um livro de arrepiar, que por sinal, apaixonada me tornei por obra tão vibrante.

Abraços

Desbúruru disse...

Teste para Exatas, na Universidade de Humanas:

Calcule:

"Quantas letras cabem em uma gota de mar, partindo-se do princípio que o mar se apresenta em pelo menos cinco Oceanos em todo a circunferência terrestre, e sendo certo que temos segundo últimas estatísticas, cerca de três bilhões de bocas e desse fato contundente, podemos afirmar que dispomos de seis bilhões de mãos, para letrar?"

OBS.: Verifique-se que os Oceanos não se ampliam, mas se reciclam de alguma sorte, enquanto que as mãos não se reciclam, e nem todas tem o destino voltado para letrar ou serem letradas.

Tempo para resolução:

Toda a vida.