2011-02-16

nos fios da noite

Do hoje, exatamente, agora, bater à porta dos ouvidos perdidos - íntimo voar. Perdidos ? Indiferentes ! No além da resposta que não cala, que de indagações elevam-se; a metade no ser abrigo ou loucura ser perdoada ? A tensão que corrói por dentro, do que de força descomunal silenciara a campainha. A alma cansada que aguarda o antídoto, para não viver das migalhas caídas no chão. Mas, outra brisa, onde tudo acontece, sente-se a vida. Sim, tempo do já à busca da capacidade de resonhar. E dos arquivos resenhar um ato que recolhe as pedras, e do propósito caminhar ante o que ficara espalhado – o que se faz, assumir uma torre ou um palácio ? O apenas ser que escreve ? Do fevereiro no profundo sentido o engano não prevalecer, mesmo que dentro da masmorra ou cova for encontro. O sangue que seco há, velar as cicatrizes floridas, a qual as trevas na leitura tentam usurpar a transparência do poetar inteiro. Ouro, prata, pedras preciosas, sem palhas para não perder o recomeço. Humilhar-se, defronte às brumas do nevoeiro, para que a biblioteca possa se reinaugurar, e os lábios se adocem na imensidão das muitas águas. Do que se dá existência, o pouco que se dá tornar-se grande no muito dá – simplesmente, pelo enxergar incomum. Das cinzas vindas, a esperança polvilhar o amor numa categoria e espaço; fonte do amplexo que não morre jamais. Os ósculos à morada ao vale, desembocar na correnteza de milagre, o voltar a crer no abrir do leque – versos que derrubam as paredes. O telhado livremente, e diante a dor instalada, pouco a pouco reconsolar os lençóis e a cama refolhar as letras à pele. Beber o que na veia se aperta, e metamorfosear em memorial da terra quente e gélida. Da história os sinais anunciados algodão doce, iluminar a garganta. O próximo poema, mágica suave que canta o brega sentir, e as entranhas em dentes tocar os ombros. E na importância, os lábios em fogo, para habitat limpo por adentrar na dupla honra. No ter de nós, sem depois, bordar a tinta que de dedos – união de todas as infinitas partes.

Canteiro Pessoal



Não é raro, tropeço e caio. Às vezes, tombo feio de ralar o coração todinho. Claro que dói, mas tem uma coisa: a minha fé continua em pé. Parece milagre, mas as sementes de cura começam a florescer nos mesmos jardins onde parecia que nenhuma outra flor brotaria.

Jácomo, Ana

8 comentários:

Suzana Martins disse...

Dos dedos o poema dos desejos que escrevem na alma e na vontade de unir os corpos num eterno querer...

Beijos

Secreta disse...

Caír, chorar, sofrer... mas sempre levantar. Uma e outra vez, tantas quantas necessárias. É aí que reside a nossa força.
Beijito.

Canteiro Pessoal disse...

Suzana, os dedos que comungam e conjugam o além - união das partes.

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Secreta, concordo em grau, número e gênero.


Abraços queridas

Desbúruru disse...

Até mesmo no olhar inocente
que dirigimos a qualquer coisa, existe um tombo.

As vezes bom, as vezes mal.

Mas o olhar aconteceu,
e isso nos serve de estímulo,
para novas observações,
novos tombos
e assim surge
o moto contínuo de nossas vidas.

Mesmo não podendo olhar,
temos a perspicácia de enxergar até melhor do que aqueles que veem.

Acho que é por isso
que inventamos as paredes,
com intuito de isolamento.

CARLA STOPA disse...

Versos que derrubam as paredes...e, se a gente quiser, fazem brotar as sementes da cura...Lindo, tudo...

A.S. disse...

Quem já pisou no falso
conhece a cor da incerteza
e a voz do silêncio
quando nada se move
e as palavras flutuam...


Excelente o teu texto!

Beijos...
AL

Cáh disse...

" Da história os sinais anunciados algodão doce, iluminar a garganta."



Lindo!!Tudo, mas algodão smpre me encanta.

Um beijo!

Jorge Pimenta disse...

querida priscila,
em fevereiro, a teia.
para quê caminharmos sobre as próprias mãos se as juramos entregues a mãos outras?
no epicentro, uma vespa hermafrodita voraz que se alimenta do ar que já não se respira, do pó que os ossos sacodem, da carne que resgatam ou que lhes oferecem. e são comensais com os estômagos em excitação, e são serventes em pragas e sevícias, e são presas agarradas, sem esperança, ao ruído dos sinos que anunciaram a boda. já nem o jornal anuncia o fim - para quê gastar tinta com o expectável?; já nem os arames farpados os seguram - a pele prendeu-se no anzol que atirámos um ao outro; e as janelas deixaram de isolar.
de comum? apenas a fome que se sacia com a própria vontade de comer... para poder morrer. e a noite perde todos os seus fios...

um beijo, querida amiga!

p.s. o veneno de que falas na escola é aquele por que todos os que escrevem e partilham a escrita pugnam: erradicar leituras pré-definidas da sala de aula onde o leitor é falso, artificial,e espúrio, pois recolhe apenas as linhas que um leitor pretensamente mais experimentado - o professor - lhe estende. e o eu, e o indivíduo, e as suas experiências e vivências passam a ser meramente figurações em palco vazio.
é caso para invocar mão morta ["quem mora na minha cabeça?"], ainda que com uma cambiante: quem me deixa morar na minha cabeça?
um abraço!