2011-02-24

rasuras livres de silêncio

Liberdade de voar num horizonte qualquer, liberdade de pousar onde o coração quiser.

Meireles, Cecília



Está no horizonte à espera plena das mudas do há simples linho e seda à face; os pulmões em som que apregoa o ilógico. As gotas nas rasuras das folhas caladas, à procura de trilhos distantes das estradas cinzentas. E paredes de nuance o ousar sim do não da interpretação ansiosa – sim dos íntimos sentidos. Do livre no sentir sono calmo ser guardado dentro do coração a velar promessas; nos dedos e no manto. Da transparência noutra brisa as carências, as dores e os suspiros na recontagem das notas. Portanto, que é abertura. O aproximar dois passos, muito além peculiar caminho à teia das linhas num sopro vestido de reflexões. Sem receio afastar dez passos o quê do que acha fantasia; todos os lados da composição ? A neurose já não neurose das análises subterrâneas de feridas acesas, que faz pele viva e sepulcro estendido no universo. E o sabe-se reencontrar, simplesmente, insuspeito, o que cativa versar voejo. A melancolia diluída à noite rasgada diante o céu da boca as gavetas abertas, e infinitamente nos pedaços de memórias a mudança de cor, com o enredo impetrificar ausência da voz: oscular ? Além do tempo, no ar e na chuva, revestir-se do pensamento de asa; escutar das palavras habitáveis. À hora do sol e da lua, notas em segredos enlaçados nós desatados – dizer do sorriso. Roseira a vomitar muros, e dos telhados faminta ternura, e depois portas por mais sentir não brega a fios. O servido abrir de todas as janelas ante os tons dos espaços inesgotáveis. Utópicos desejos refazer ao nulo do escore fronte altar das estrofes, e as notas vibrantes entre os ventos – acima do oceanar o altar; da terra para o mar de sentimentos. A doce voz do silêncio, alfabeto escorrer o quintal cortinas de muitas águas por desfazer nuvens de papel. O filme chuviscos escritos sobre o azul profundo em grandiosidade ato do delicado poemar com pomar.

Canteiro Pessoal & Suzana Martins

7 comentários:

Canteiro Pessoal disse...

Suzana, uma honra grafar contigo, a doses enviadas adentraram profundamente o interior, rasgando com sabor as camadas. A espera por mais se faz notória, afinal a quatro mãos as notas se conjugam num exalar penetrante, partes no completo inexplicável com tamanha importância para os orgãos vitais.

Abraços querida

Suzana Martins disse...

Minha querida Priscila, sou muito feliz por escrever a quatro mãos com vc. É uma honra pra mim, mas acho que já falei isso!!! rs...

No horizonte, distante, vejo os versos se formarem em fragmentos onde chovem letras e saudades. As palavras vão brincando de formas e enfeitando o papel, o céu... as canetas, rs...

Beijos querida e mais uma vez muito obrigada!!!^^

Noslen ed azuos disse...

em mãos que tecem uma só situação marcada pelas explosões de magnitudes estelares.

bjs
ns

Paulo disse...

Navegar por "marés" nunca dantes navegadas e sentir sentimentos externados por palavras justapostas em linhas e entrelinhas que se confundem mas que dão um sabor especial aos versos que lemos e por eles viajamos entre ventos e tempestades e inquietudes e desejos e instantes e saudades daquilo que ainda não vivemos é especial.
Quero sentar na janela.

Beijo Su, beijo Pri

Luciano Martini disse...

Belo.

Jorge Pimenta disse...

meninas,
levanto as mãos, baixo os olhos e digo: rendo-me!
há palavras contra as quais não vale a pena resistir.
beijos a ambas!

Nilson Barcelli disse...

Só agora é que percebi a parceria...
Conheço bem a Suzana e sei que ela escreve coisas boas.
Mas a 4 mãos fica no texto o melhor das duas...
Parabéns pela qualidade do texto.
Beijos a ambas.