2011-03-11

Catarse: signo dos signos


Então, um dia perfeito, puxado um livro e o abrir, e lá está como presente do inteiro e luminoso mover em cadência, o que se lê abertura das mãos num leve sorriso e reler o broto das paisagens norteado às tintas em flores. Dos pedaços de madeiras chamuscadas fogo-paixão saídas da órbita, o levitar na última camada à busca do equilíbrio – elétrons e prótons, química e a metamorfose completada. As figuras de linguagens do tecer veias em silente de frente pro mar dão-se vida a personagens desgavetados de livros não escritos; lágrimas intensas na pele. Os espermatozóides e óvulos misturas intra-seculares da experiência com sons em melodia. A substância das trocas de olhares, quatro mãos manifestação fio de voz efetiva, células do organismo bordado ao encontro das cores e os acordes à pele do incansável beija-flor. A vacina misturas num só tempo, misteriosamente do titular de livro motivado no acordar de asas por atravessar o deserto. Da realidade de avenida das costas decepadas, na força do sopro calcificar dos ossos, noites de ondas se esvaírem à somatória dos desencaixes livor e multiplicação do caráter existencial à tela surgida em toques, com lavar da alma o desatar nó[s]. Os olhos e o peito, tudo e nada tripa da ruptura ferida à boca ressequida, cujos episódios de ordem cronológica dos ruídos indesejáveis sem visitação da hora dos cães. O caso da pétala voar atos nobres de abandono do fevereiro missivas, com núncio estriado e enviado do rio desprovido dentro vestir em seda - laçinho de fita. Do guardar os traços nas colinas, sede do amanhecer a veia das páginas; palavras em latas de tintas e de enigmas o tom de jasmim, lírios com declamar perfil dos solos em todos os sentidos retrato embriaguez, lucidez e insensatez, as linhas que rolam facilmente através da página – um fluxo.

Canteiro Pessoal & Paulo Diesel


[readaptação: Bukowski, Charles]

6 comentários:

Paulo disse...

Centralizo-me na química. elementos opostos atraem-se e Newton dá seu parecer.
Não sejamos lucidos, nem sensatos, nem cordatos. Ampliemos linhas e páginas e palavras até a atingirmos a catarse.

Danilo Castro disse...

Pri, seu texto me é superabundante... Eu sigo por tantos caminhos que quase sempre me perco e quando menos espero, quando tento voltar me vejo imerso nesse fluxo destemido e louco.

Abraços fortes!

Jorge Pimenta disse...

querida amiga,
passo por aqui depois de um período quase sabático, em que o tempo me foi definhando nos dedos.
retrato perfeito, este, o que nos ofereces, em harmoniosa parceria: o maior dos dias é sempre o das menores realizações; desejamos sempre mais do que temos e temos sempre mais do que devemos.
um abraço!

Nilson Barcelli disse...

Excelente texto.
Gostei imenso.
Querida amiga, desejo-te um bom Domingo e uma boa semana.
Beijos.

Canteiro Pessoal disse...

Paulo, nutrir a nudez da palavra, de dentro e externa-una, para que os olhos à beira mar deliciem-se páginas transbordantes.

p.s.: Obrigada pelo privilégio na atuação quatro mãos, que capta perfume particular; sílabas na osculação dos traços finos.

Abraços

Canteiro Pessoal disse...

Danilo, muito bom ler-te, que saudades.

Abraços