2011-03-05

Cores vermelhas infiltram-se?

As águas de março com o fruto das noites em asas inspiradas, o que encerra o verão entre os sabores do há das macieiras próximas, como contínuo construir e destruir na comprovação pulmonal dos ósculos de silêncio às estrelas. E no vermelho da raiz como Fênix árvores em movimentos as diferentes linguagens que não precisam ser reprimidos na nuvem de deformação, tão nítido como outrora fronte beleza pura sob o vento da tempestade suja. Das primeiras notas de pele e tempero o verde por embrenhar sangue suculento à labuta do lado a lado para absorção do que cada em obra de Monet para tornar suave e fresco no ter, pensar, sentir e exprimir tangos a dançar mãos bem amparadas com fôlego. Os olhos para as cortinas brancas da janela na retirada de linhas sistematizadas, feito telas em desperdício capitulado dos tempos as estátuas sem olhar intrapessoal; nulo usurpar o tecido fino do dentreado semeado. As películas escuras sobre a derme com filosofar na escrita musical quando sol começa a surgir, que dos lábios amadurecidos ameniza o sensível tocar dos respingos de gelo das estrofes não ditas como reditas nas lindas noites frias. E, das reconquistas aberturas de gavetas por adubo as palavras habitadas ao cume cor do ouro resplandecente, desde o prenúncio das cordas horas de madrugada se vestir dupla honra aromas dos campos. As milongas entre o nós e o centro obsedantes na penetração do mover da luz transparente em cores de prato fundo aprofundar – veia em flor, e a ouvir o espectro solar, homem e mulher na evocação interior, onde as pétalas rosa (cho)rosas fazem sorrir açucenas e sentir a paixão aninhar grandes copas, lua como testemunha dos delírios. Os experimentos e gemidos de querer elevado do sublime ritual, e ardência a escorrer essência psicografada com acolher da ossada no sinal à geografia; pés descalços com o fogo queimar abismos e na areia o perfume ficar. As aves sobrevoar paisagem de identidade pessoal que se diz diferente aos rios, simplesmente, vocabulário como derramar oceano por inteiro violoncelo.


Canteiro Pessoal & Paulo Diesel


Não te aflijas com a pétala que voa: também é ser, deixar de ser assim. Rosa verá, só de cinzas franzidas, mortas, intactas pelo teu jardim. Eu deixo aroma até nos meus espinhos ao longe, o vento vai falando de mim. E por perder-me é que vão me lembrando, por desfolhar-me é que não tenho fim.


Meireles, Cecília

8 comentários:

Paulo disse...

Ler e reler e ter e ver e sentir prazer num texto a quatro mãos que acabamos parindo.
Obrigado Pri, por deixar-me participar desta experiência

Canteiro Pessoal disse...

Paulo, um fio de voz quando se efetiva o encontro das cores vermelhas infiltrando os acordes da pele, que misturam-se misteriosamente o titular de um livro motivado no acordar. E, na somatória e multiplicação do caráter existencial por tela surgida em toques quatro mãos desatar nó[s], tudo e nada pela ruptura que cujos episódios por ordem cronológica dos ruídos, faz o caso da pétala que voa em atos nobres abandonar o fevereiro enviado por um rio desprovido do dentro em laçinho de fita.

p.s.: Delicioso a junção, que em detalhes transforma os dedos, após as tempestades e naufrágios a produção do nós essencial. Portanto, vamos repetir a dose ave rara!

Abraços

Priscila Cáliga

Nilson Barcelli disse...

Priscila, obrigado pela tua visita.
Ainda só li este texto e gostei muito. É excelente.
Vou ler mais alguma coisa e ver os teus outros 2 blogs.
Beijos.

Nilson Barcelli disse...

Não me tinha apercebido que o texto era a 4 mãos...
Parabéns extensivos ao Paulo.

Canteiro Pessoal disse...

Nilson, gratificante visitar-te, és possuidor de uma escrita excelente, forte - intensidade que faz leitor aventurar mergulhos.

Abraços

valdivino disse...

Minha amiga vim lhe desejar um feliz dia das mulheres.

PARABÉNS!

BJOS.

A.S. disse...

Quanta beleza no teu texto!

A parte final da Cecilia Meireles, era um excelente complemento para o poema que postei!!!


Beijos,
AL

Canteiro Pessoal disse...

Valdivino, obrigada!

Abraços