2011-03-26

Seis Mãos: uníssono dizer

Na cara,
no rosto
estão as cores francas da verdade:
as palavras que são facas de
pele
que cortam a carne das sinapses.

Narciso, Adriano


O ser sentado no banco da lição, a cada sopro do vento escorre de si, traços arquivados com faísca de vida, e a veia das páginas de expressividade plantado na mata absorve conhecimentos milenares. Pinturas coloridas ou em preto e branco refletem o escondido do arteiro, e suas coloridas cores chegam ao pote de ouro pensativo. Mudam as suas rotas, mudam os seus rumos, e a ave avoada renova suas asas dentro de uma tempestade que se forma no vento de tintas apagadas de um oceano que se revolta e conjuga-se em ondas pálidas preciosas. Palavras ditas ofuscam pensamentos soltos e de autoria não assumida. Retorno. Placenta. Líquido perdido. Partir e o parto encomendado e fruto do inusitado, mas o sangue vermelho da véspera e frustração. A intensidade das folhas dos olhos do escrevinhador faz latas de tintas penetrarem insorridentes oceanos adentro resenhar, tal desenhar da falsa valsa que asas dançam no infinito dos sopros de um instrumento de corda - o laço bem apertado. E, novas flores indeléveis despertam podas e recortes dos tecidos finos, à beira do precipício que se grita o interior de seus olhos azuis e ventre vermelho do sangrar retrato por dentro em abundância: Socorro ! É o tom da música muda que canta ao amanhecer dos dias vividos e vindouros; páginas inteiras de versos que ficaram pela metade num vocábulo inteiro. Ele pinta e as páginas em desenho das letras com entregas e de alimento aos degraus do que guarda abertura, e pés inseguros, contidos em lepra fogem da tela em direção aos rochedos da conjugação cura. O escudo na direita e lança na esquerda, só tem duas mãos; preparação ardilosa e imprevisível. A tinta lhe toca e o dizer dos dedos que és, sobrevoa marés altas que trazem de volta a ideia que alimenta ou não; razão e emoção. Sons angelicais perpetuam o momento e a harpa é conduzida por ondas que tocam nos fios da vida e na pele dilacerada, tirando o mesmo som. Vôos em busca da verdadeira canção, com orientação em conchas absorvidas, colhidas na intensificação das renúncias, que proporcionam relacionamentos na perduração.


Canteiro Pessoal, Paulo Diesel e Suzana Martins

11 comentários:

Suzana Martins disse...

Pri, é uma honra poder compartilhar mãos e letras novamente com vc, e poder vivenciar seis mãos com o Paulo.

É um reinventar!!!

Obrigada linda!!! Obrigada Paulo!!!

Beijos

Canteiro Pessoal disse...

Suzana, Su, são barreiras que se desfazem, tudo contextualizado na abertura da parceira, escutar em detalhes as partes e por passos direcionados em somas, a multiplicação perpassa no superabundante.

Abraços

Canteiro Pessoal disse...

Paulo, é com grande felicidade e afeição que tenho por ti, as notas dizem sobre o laço de amizade em crescimento, na qual as trocas e meditações proporcionam muito mais do que se pode imaginar; escutar o próximo com tempo em qualidade, tu e vice-versa, faz transbordante o alfabético, que por si só é banal quando não há partilhas - parcerias. Obrigada pela oportunidade inigualável e elevada em renúncias.

Abraços

Jorge Pimenta disse...

ora aí está o verdadeiro consílio: seis mãos. por momentos sabes o que me recordaram vocês? o cadáver esquisito, técnica de composição surrealista em que um artista dava sequência ao trabalho do outro sem o conhecer previamente. não sei qual a metodologia de criação utilizada, mas o conjunto ficou brilhante. já conheço bem o teu trabalho e o da suzana (o do paulo, confesso que não), razão para que não fique surpreendido.
beijos e abraços!

O Profeta disse...

Calei a alma
Aprisionei o sentir deste estúpido coração
Mergulhei o corpo em agua dormente
E lembrei-me de uma esquecida oração

De quantas palavras se faz a melodia?
Para onde caminham os passos de uma criatura perdida?
O que será que pensa um homem caído?
Para que serve a verdade incontida?

Perdi a vela do meu barco de papel
Mil tempestades assolaram-me à alma
Abandonei o leme ao deus dará
E encontrei uma deusa em lágrimas, de perdida chama


Mágico beijo

Eurico disse...

Palavras quentes, rubras, terrunhas... aqui há uma sabedoria do vivido poética/à/mente!

Abç fra/terno.

Paulo disse...

Partilhar pensamentos e sentimentos faz com que cresçamos. Espero que possamos transmitir e agregar aos nossos amigos/leitores.

Abraço, Pri

Majoli disse...

Priscila, nossa nunca mais vim aqui, isso não se faz.
:(
Que interação ímpar essa de vocês.
Ficou ótimo.

Beijos de uma linda noite.

Tatiana Kielberman disse...

Esse trio é mais que demais!!

Beijos!

A.S. disse...

Seis mãos cúmplices que nos deliciam com textos plenos de emoção!

Valéria Sorohan disse...

Suzana e Priscíla, que coisa linda resultou essa união.

BeijooO*