2011-04-27

Focos de luz

Para todos os lados que olho, vejo e não vejo, observo e não observo, penetro e não penetro na mensagem da imagem que se esconde no fundo da gaveta, pra todos os lados que o olhar - datas marcadas.
Reformulando : nada de gavetas,
está bem a mostra, claramente, lucidamente. Não. Não há gavetas. Calma!
Pra todos os lados o olhar e se esconde no fundo da gaveta, faz de conta, lucidez das datas marcadas… não tem lucidez, não há datas marcadas
Balde de tinta vazio, pincéis pincelam mensagens.
O relógio do tempo traçando partidas e chegadas,
badala, badala e avisa.
Ofertas: lágrimas e sorrisos.
As malas recheadas de álbuns de retratos, autorretrato completamente sentir.
Ver e rever, ver e ver-se, preto e branco, colorido. As vozes conhecidas na sensação, tremores, pele eriçada…
Malas prontas pra viagem.
E do ver e rever ingredientes que fermentam e recriam e criam e são absorvidos…
Cartões-postais de antiga cidade.
Ruas, ruelas, becos.
O vestígio aparente por trás da porta do armário, trancado com a chave perdida. O que se esconde em pequenas caixas, ou no fundo das gavetas.
O outdoor da vida computadorizado, ocupando espaços que, se não, seriam abstratos. Com o céu escuro e em questão de segundos…
relâmpagos e trovões apavoram.
Madrugadas, gavetas e amor.
Ouve-se os passos no corredor, a porta entre, aberta entreaberta.
Mente à decoração das letras.
Obviedades simulam conclusões,
letras se transformam
em palavras, e versos rompem toda máscara exterior.


Canteiro Pessoal e Paulo Diesel

2 comentários:

Canteiro Pessoal disse...

Paulo, descorrer palavras, ideias contigo sempre dá consolidação em primazia. É muito bom, pensar e repensar, opera mudanças magníficas no interior. Portanto, que as letras se transformem
em palavras de impacto, e versos rompam toda máscara exterior.

Abraços

Jorge Pimenta disse...

quantas vezes sei a imagem, adivinho a gaveta, desejo as portas abertas, aventuro-me em corredores [sem pressa], dispo relógios e obrigações, rasgo cartões de visita [canso-me sempre de esperar], depilo o tédio e rasgo a decepção, mas... perco o sentido de cada uma das acções e não acções...
abraço, querida priscila-cujos-escritos-são-sempre-desafios-maiores; abraço, paulo!