2011-04-17

Persona



O passado nunca morre, ele nem sequer é passado.

[Faulkner, William]



A caverna no envio das misturas e somatórios que já na obscuridade quase completa, dos lábios à loucura que acode, e mentes incapazes à procura das facilidades com conotação de enclausurados, o pensamento é um copiar de infiltrações por osmoses intergalácticas que fazem sucumbir ante o poder exacerbado de feudais, que mordaça a evolução. O domínio e predomínio, facas de gumes incertos a virar foices contra foices, e a saída do breu ficção, afinal permanecer na inércia e desdenhar a liberdade por status e acomodação é tão irracional quanto. E, no peito, a torneira por dentro, o que desce à garganta, abri-se e constata que, a carrapeta gasta e o pólen de fogo se juntam, alastrando aos traços da face à sombra, com o computar das infinidades de interrogações em socos ante a porta. As mãos do captar hematomas; fluxo de sangue em componentes ativos no lógico que freando, paralisa abruptamente o encenar da vida, que, nos flancos, rio de abelhas, os espermatozóides e óvulos com rumor tigre, retiram-se, e ludibriante no caminho acinzentado, o feriado adoça amargo o sol secreto. Os joelhos na areia que queima o silêncio nada cego, ar de núncio eólico, ontem presente atual com adagas residindo à duração de vazio – oco, faz saque tamanho diante calendário desagradável. Tal brilho eminente que consolida o inverno e passos inseguros leva à escuridão, e mesmo guiados divergem. O poema ardido de agulhas com costuras desmedidas, olhos serrados as cores dos obstáculos (in) evitáveis, temor de (do) novo. Toda a música da água que estancada, dores sentidas são. As folhas brancas da existência, por muros crescendo por onde andam as ideias, que se a literatura e a gramática servem em doses sem respiração ao invés de servi-las nas tempestades com produção do vigor, perde-se à percepção e o sentir. O retrato desnudo que de aveludado sepultado, os vidros que deveriam se partir com sopro e ser ensinados, o intuito de libertação do pensamento, mínimo irradiar ao centro, agregando às ideias apontam trégua. O globo emudecido no que vencido e distancia o nome, e em forma mistificada, exclui, fazendo os corpos sob o vaso transparente, nas flores necessárias, para que primeiro, se expie e, segundo, as ultrapasse, escalando muros; segredos que revelando no átimo simples em direção à metáfora da sobrevivência.


Canteiro Pessoal & Paulo Diesel

6 comentários:

Canteiro Pessoal disse...

Paulo, um prazer discorrer notas fortes em reflexão e ideias que se agregam com precisão ao chamado por metamorfose. Adentrar a caverna interior faz com que as sementes sejam revistas e adicionadas no solo promissor que fará em curto e longo prazo a narrativa por portas abertas, mente em prontidão na renovação.

Abraço parceiro.

Suzana Martins disse...

Linhas metafóricas que sobrevivem dentro de mim...

Saudades, Pri!!

Paulo disse...

Discorrer palavras e versos em frases mirabolantes a procura de consertos para coisas danificadas, tornou-se um objetivo para nós. Compartilhar isto contigo e depois externar à todos é nossa missão e é assim que contribuiremos para a melhora da coletividade.


Beijo, Pri

Tatiana Kielberman disse...

Adoro seus escritos, Priscila!

E ficam lindos também quando misturados aos do Paulo...

Beijos, parabéns!!

Brasigrega disse...

Mentes incapazes e preguiçosas à procura de idéias prontas, normalmente adquiridas on-line, ou no Disk delivery, com pagamento facilitado, via cartões de créditos à juros exorbitantes...Esforço? nem pensar! Comodidade à qualquer preço, um lema cada dia mais comum nestes tempos atuais...Porém as pessoas se esquecem de que "não existe atalhos para a felicidade!".
Bjusssss

Canteiro Pessoal disse...

Brasigrega, concordo em grau, número e gênero no que exprimes.

p.s.: amei profundamente vossa visita, e volte sempre, sinta-se à vontade.

Abraços