2011-05-23

d'alguma poesia?



Perdão, pois te esqueci na cabeceira das minhas anotações projetadas. Nisso, com os meus espaços, costurei-me no modismo. Entregue no total do aluído das missivas sem arte, ditadas imposições. Os teus, meus fragmentos pisoteei com a adrenalina do tempo que aponta. Mas, hoje, não tenho ninguém para culpar pelas manchas em minhas vestes, exceto esse alguém atitudinal violento que habita em meu interior. A espada dos dois gumes que pensara ter presenciado, foste farsa, e da lógica remendada num cenário que criei para mascarar o meu ego, o persona orgulhoso que reina. Agora, na solidez do tempo que se desmancha e nos oceanos casados, em rascunhos que revelam minha existência, desenho o níveo clamor. As impressões de um todo desse meu particular, afinal levanto as minhas mãos sujas, por flores nascerem no profundo da habitação. E para o seu cume, que me olha esperançoso, lacrimejo. Aconchego-me no mais próximo de ti; versos fecundativos para ressoares forte e livre, a vossa presença e vontade. Em trapos, pelos versos do seu princípio, ouço a voz do meu espírito que geme. As súplicas que percorrem a minha língua faz com que meu sangue escorra perante os teus pés afáveis, que não me estraçalham. Como rosa rubra em dolorosa definição, movida no balanço do vosso vento impetuoso, que é sabedor das minhas rotas de fuga. Sim gota ! Vossas falas são genuínas, à fina formosura das suas mãos, fronte as minhas verdades que são mentiras, e que me faço junto ao lago essa pintura do envelhecer - morrer no deserto. O andar em círculo confesso, e incansável registrar das minhas pálpebras, o quanto não durmo, e no pincel esmiúço o dito e reeditado das horas pesadas. Na orquestra de um registro pessoal, tenho acordado quase todas as noites com os sinos do cemitério. E sei que são teus sinais, os índices dos livros sábios nascidos da cabana, avisando-me que a morte se faz presente em meus dias, e tudo por uma ignorância em prevalência. Tanto que, no rastro do momento, dizendo teu nome, prenuncio esse desejo de gozar o andar de luz, este alimento que necessito. Portanto, leva-me para as páginas onde o que eu escondo me fez coxo, e meus braços carentes explodem: deslizar como bailarina no que vives. Meu rosto no chão oscula seus passos marcáveis, e no aguardo tão almejável das vestes novas, que arrepia meus pêlos. Para ver meu verdadeiro eu quebrar por dentro no toque do dois em um, com o romper da minha surdez. E na cama com este refrão do tecido que atuo palhaço de circo, o jogo de sorriso falso, corajosamente abrir a cortina dos meus olhos turvos, onde há um baú recheado de palavras que expressam o interior podre que me deixa pedaços da folha. Vomito por encontro, e renunciar do abundante preencher que reflete empoeirado. As linhas da coragem para que o levante e caminhar seja vivo no meu plano terreno - mortal. Tal qual como o vento, e sob a plenitude da copa, embrenhada nas fotografias, por ações que, em sinfonia à música, o adentrar diário na minha fraqueza, que a falo em tom alto, no intuito que tu respondas a minha solidão. Assim, nos períodos que tomo meu chá, à percepção quando desfilo entre a lama e meus dedos mergulham: sôfrega ! Nova história ?! Que me mostre, revele a chegada das bem-aventuranças, para onde devo ir, pois desde que usei meus pés para outro rumo, tornei-me aleijada. E, nos longos dias, o que quero é dançar, valsar junto aos teus braços calorosos e fortes. Na energia de seu movimento, não retroceder com o que o externo possa me oferecer. Pois, o retrato do amar até você, é que transborda o véu da minha nudez.

Canteiro Pessoal

6 comentários:

M@rcus Henrick disse...

Sem palavras...
As Lágrimas da Alma, falam por mim..

Canteiro Pessoal disse...

Marcus, meu amigo! Quando as lágrimas falam, tudo se faz novo.

Abraços

Paulo disse...

A adrenalina produzida realimenta o gosto pelo pensar e mãos dadas constroem histórias novas regadas a um vinho rejuvenescedor e multiplicado.
Absorvo tua letras e as palavras se infiltram e transformam. O que é uma lágrima perto de tantos sorrisos? O caminho está traçado...

Canteiro Pessoal disse...

Paulo, quando as palavras infiltram-, não há como ser o mesmo, e não mais aceitar a taça vazia. A transformação se torna tão forte, que tudo e todos ao redor, silenciam-se.

Abraços

Nilson Barcelli disse...

És sôfrega da escrita, não há dúvida...
E este texto é magnífico. Gostei imenso.
Querida amiga, bom fim de semana.
Beijos.

Canteiro Pessoal disse...

Na atuação sôfrega a alma se regenera. O olhar prenuncia como aprendiz na linha da captura - leitura de si que é essencial.


Abraços, e igualmente!