2011-05-28

das imagens: desfia-se?




Os pontos no infinito à alma inadiável, com dedos no refrão que em bagunça sinaliza de algum modo proximal: desajeitados tecidos, cuja palma cruza a profundez da semente, o quanto deixar a mostra ? A dificuldade eminente por dentro e fora; a revelação da passarela em socos e perfurações, afinal o quanto levarão antes que se esvazie ? E olhos no vazio em tamanho aperto, na ânsia que, no corroer trapezista está enfadado das apresentações com cortinas, que impedem mudar as rotinas - regras ! A vida nas respostas que assustam sem fundamentos e essência habita no sepulcro e, faz da casa de vidro, cada ruído intimidação, quebrar-se no deserto desavisado de amor. O sorriso que inventado codifica o frio; do fogo queima as plantações, estraçalha todo o enredo sonhado, e vácuos intencionais que dilaceram, deixam as cinzas. As charadas do tempo machucam a fragilidade das notas em sons intermitentes. Com tudo que está entalado, dado aos ponteiros da catedral pela solidão que ampara, num golpe fatal violenta as emoções, o que dá voz ao crescimento desmedido. Dos intervalos tão profundos que devoram, a trazer consequências com retornos ao cheiro do passado, outrora lançado no mar do esquecimento. E mesmo no sim das mãos acenando, dedos dizendo não, por doçura nos lábios - sabor do mel, usar as máscaras, lamentavelmente, perpetua permissões do existir de mais um dia - sistema impõe ! Enfim, tal como vento grita advertindo às dores, ‘mudar, [re] mudar, mas começar devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade’. Lispector


Canteiro Pessoal


6 comentários:

Canteiro Pessoal disse...

Havia dito numa ligação que estava sem palavras, que em síntese: inspiração. E indago-me, o que leva no vazio brotar palavras, se não tinha sinal de surgimento, que resolveram fazer as malas? As palavras pregam peças, nas quais a mente matuta respostas, que se tornam até dados momentos inexplicáveis, ou, vão permacer sem linhas - borros. Com isso, submeter-se a prática de asas que não dão importância as tantas respostas, que se tornam insignificantes, perante um nascimento no deserto. Portanto, isso basta!

Cafundó disse...

Que riqueza... Também voltarei!

Celso Mendes disse...

Seus textos me impressionam pela forma com que trabalha imagens e palavras de maneira inusitada, como a querer esmiuçá-las a um significado que se arranque à força. A citação de Clarice Lispector foi perfeita no texto. E se desertos se refazem as palavras lhe teimam sair, ao que percebo, como rio, como água a querer inundá-los.

Abraços com admiração, minha cara!

Celso Mendes

Jorge Pimenta disse...

querida priscila,
olho em meu redor e procuro perceber a velocidade e a intensidade com que as gotas de chuva me percorrem a pele. e decubro que, apesar da vertigem, até a mais líquida de todas acaba por secar no contacto com a superfície frágil. e tendo a generalizar, crendo que a voracidade dos dias que nos empurram para o obrigatório e não para o que alimenta verdadeiramente [como passar por aqui e inebriar-me com alguns dos mais finos recortes de filosofia de vida em palavras embalsamadas] deve, também ela, conhecer a pele que a saiba estancar. até porque "a direção é mais importante que a velocidade"
beijinho grande!

Paulo disse...

Clarisse escreveu, falou e disse.
A mistura de letras escritas com sentimentos sentidos desde o inicio traz a tona os verdadeiros pensamentos que se perdem em meio as tentativas explicitas de ações generalizadas na busca do melhor caminho.
mascarar, mas descobrir frestas nas cavernas podem levar ao cume onde por mérito o ósculo o espera.

Abraço, Pri

Valéria Sorohan disse...

Quero parabeniza-la pela lindeza deste teu texto Priscila. Muito lindo realmente. Cada leitura minha nas suas palavras é sempre uma viagem muito louca.

BeijooO*