2011-06-19

alvo

Não deixar partir falas.
O disfarce não vestir a face.
Mas,
A hora de enamorar o tempo.
[Parte por parte à procura
Do esperado mar.]
Viajar com demora,
Sem volta.
Pois, o plano é:
Invadir o olhar do cisne.
E das teclas os porquês e respostas,
A liberdade de expressão.

Canteiro Pessoal



É uma história curiosa a que tenho de contar, um história de difícil absorção e entendimento, por isso é uma sorte que eu tenha as palavras para cumprir a tarefa. Se eu mesma digo isso, quando talvez não devesse, é que, para uma menina da minha idade, tenho um ótimo vocabulário. Extremamente bom, para falar com franqueza. Porém, devido às opiniões rígidas de meu tio em relação à educação das mulheres, tenho escondido minha elouquência, soterrado meu talento e mantido apenas as formas mais simples de expressão aprisionadas no cérebro. Tal dissimulação transformou-se em hábito e foi motivada pelo medo, pelo grande medo de que, se falasse como penso, ficaria evidente meu contato com os livros e eu seria banida da biblioteca.

Harding, John

2 comentários:

Jorge Pimenta disse...

disse-se de uma revolta lá para os lados do alfabeto: as vozes vestiram os sentidos e despediram as palavras. comunicam sem ar, sem boca, sem pulmões, apenas expressões sem face onde cada inquietação e exultação gira em trajecto líquido, como os peixes num aquário circular à espera do rasgo no vidro que conduza ao mar. e nesse lugar fora da voz, nesse tempo sem dizer, todas as perguntas e respostas serão o magma de cada homem, o magma de todas as babel [e as falas não partirão].
Beijo, querida amiga!

Paulo disse...

Todos temos um alvo. Lançar mão de flechas para acertá-lo é que são elas.Figuras de linguagem camuflam sentimentos, mas é hora, eu sei.

Abraço, Pri