2011-06-19

as manhãs no ouvido


No espreitar da escuridão das florestas, caindo o crepúsculo, a contemplação do fluxo de flores em longos delírios poematizados, e sentido no sentir que se canta citação com raiz, tremor e temor vestido infinito. A gramática reflexionada, no tom tímido, as penas brancas brilham ao sol e, a varanda está em capricho. O negro que vem à tona com núncios de humanidade, especialmente, às vésperas do inverno. Uma casa das antigas, em sensibilidade observável que, no barco com os fragmentos do clássico ferido e tela manchada por personalidades devastadoras, ganha, contudo, à beira da carruagem celestial, os pinceis em cachecóis, tomam chás e costuras dão luz à escrivaninha, até a boca do fusível que resguarda em sua vigília. Duas faces dialogam-se, encaixam adormecidas e seladas no pensar da perfeição, novas formas de se dizer o que se ocultam. Enquanto, ao redor rio e mar por dentro gritam, estouram defronte a língua: Lembrar-se-á ? As bocas que escorrem a água negra transformada e se cultiva a nudez, como indeléveis misturas aos passos da linhagem. De/salvar como, a repartida para a coroa ? O corpo que se ateia ao fogo – febre alta e tênue, e como geleira no embalar de dezembros, maios lentamente em estrelas pressentidas, faz a história o que sempre sinalizou aposentos: corações quentes na primeira morte. O banhar íntimo de sonetos que fazem canhões silenciarem com o frasco do dia amigo e forte, que abraça o quarto. A cômoda na segunda morte no lago que se observa o reflexo do que não sabia ler em doses diferenciadas, de segredos aos olhos do rei, noutras notas, recitam o tão profundo retirado por um ósculo. Tudo por um nado intenso das muitas imagens, que na metafísica das mãos, entretidos rascunhos coloridos de pássaros e borboletas, pratos de indagações e mesa de respostas. As paisagens que interpretam, e dos vazamentos e buracos – mal iluminados, um nada num tudo enfiado se fisga árvores e a vez do arco-íris, e o precisar da farinha.

Canteiro Pessoal

10 comentários:

Suzana Martins disse...

Os fragmentos negros cobertos de borboletas deixam vazar as palavras em conta gotas do sentir...

Beijos Pri

Saudade

OutrosEncantos disse...

Priscila, minha querida, teu texto me emocionou.
dissecaste almas, corações, olhares e mãos e sentidos. e fizeste nascer imagens impressionantes [um todo absoluto de verdades]!
e apetecia-me até transcrever o que extraíste da "menina que não sabia ler"...
... porque tem momentos em que não sei dizer...
... e o tanto precisar do que, a matéria é farinha...
coração quente... [que bom de ler]
abraço Priscilla!

Sαmyrα Almeidα disse...

Olá querida...boa tarde!
Obrigada por seu comentário em meu blog "Inefáveis Sentimentos"...deve ter sido indicada pela Sandra Cajado uma amiga de valor inestimável.

Beijos^^

Valéria Sorohan disse...

Lendo e relendo, por um súbito instante, deixei-me embalar na descrição desse momento.

BeijooO*

Celso Mendes disse...

"Duas faces dialogam-se, encaixam adormecidas e seladas no pensar da perfeição"

há muita manhã nesses ouvidos e muito o que ouvir da transparência opalescente que os dias reservam, subliminarmente pressentidos.

Eu viajo em tuas palvras, Priscila.

beijo.

Paulo disse...

Leões e leopardos dominam a floresta. Fogueiras os matém afastados. Palavras, como varinhas mágicas, transformam num simples tocar. Espaços vazios a preencher. Segredos a dois não são segredos. Buscar respostas em gavetas nas cavernas ou em devaneios coloridos. Saídas em linhas, à esquerda. Ou à direita. Mistérios sem fim...

Belo texto, Pri

Fé Fraga disse...

Olá Priscila, seu blog é encantador. Venho apreciando ele e voltarei mais vezes. Estou tentando te seguir no Twitter , mas nao consigo.
Abração,
Fé Fraga.
http://mefaltaumpedacoteu.blogspot.com

Canteiro Pessoal disse...

Fé, twitter: @priscilacaliga

Cafundó disse...

Que riqueza! Parabéns!

OutrosEncantos disse...

vez ou outra preciso voltar para vos reler:)
habitam por aqui sentimentos que nos trespassam como projéctil que faz ninho na alma, magoa até acordar a vida.
beijo.