2011-06-09

como quem planta

Quem és tu que me lês?
És o meu segredo
Ou sou eu o teu?

Lispector, Clarice



Desnuda-me !
Das retiradas do baú,
Palavreia esta página em branco.
À flor da pele,
Com a flor gardenial labiada,
E de flores múltiplas e pele fértil,
Como aprendiz capaz de sentir-te.
Instila-me nas escritas absurdas.
No andar da ponte –
Tu a semente no campo intimal,
Que dos sonhos mil,
Conjuga-me em verbos:
Agricultora do versar florescimento.
O curso dos rabiscos,
Pouco a pouco, aos núncios plenos
Defronte o grande e suave gole
De navegação sem derivas.
A transformação da água em vinho;
O de dentro no gerar filhos.
Das horas de prumo,
Até a face do corpo inteiro,
O bordar do arco-íris.

Canteiro Pessoal

4 comentários:

Valéria Sorohan disse...

Esse seu coração nunca esgota o querer.

BeijooO*

Canteiro Pessoal disse...

Valéria, a todo momento, nesta luta constante, só para não cessar - esgotar o querer. Pois, sou tendenciosa há fugas, cortes no querer. Portanto, à observação detalhista, com perseguição ao alvo.

Abraços

Celso Mendes disse...

oferecer-se à descoberta com o peso do veneno e a leveza do antídoto é tão difícil como ser descobridor.

lindo!

beijo.

Canteiro Pessoal disse...

Celso, exatamente!

Abraços