2011-06-05

em silêncio para tecer



Eu sento à beira da praia dos seus olhos, incontáveis vezes, perto ou longe de você, só pra apreciar de novo.

Jácomo, Ana



O ser que pensa em palavras atrapalhadas chacoalha-se, e sem fugas para não perder as pedras como memoriais de louvores na casa da habitação. E outrora, do tanto medo, que do sim intensificado tão profundo embaixo, abolido por presente organizado, pelo nomear do bom combate na singela esperança do haja. No espírito o pulsar provocado pela espada de dois gumes, o que não adere dizer insano com bater forte à porta de madeira maciça, que a todo balouço do momento, na tentativa de usurpação às conexões – compreensões, dado ao fato das precipitações climáticas, e por facas aos órgãos vitais. Assim, por sentir-se embrenhado, e em vigor borbulhante das cores que se é na asfixia entorpecente – tsunamis interiores. Mas, na porta colorida do terceiro céu, como tinta desenterrada à permissão do tintureiro, para que o click particular e o replay num alvoroçar perpetuem a análise do andar, que sem receio de ferir os pés absorva o resgate dos arquivos mortos. Nas paisagens que vê a gravação de um fogo na alma, que de capturas as linhas com nulo esquivar dos sofrimentos, e se polvilha o caminho apraz no barco das grandes navegações, na qual a ponte em prevalência aos pequenos atos sela-se expansão – alargar da tenda e, percorre-se a música que compõe, até que seja transformado e purificado. Afinal, o aperto doce das cores mais doces crescente sinaliza que estar em silêncio ao invés de falar, recorre-se as entranhas que se movem no chamado de um nome, morre-se para si. Os dedos de algodão doce no mistério formoso, com cheiro de passarinho que com cantos infindos, traz à tona o retrato convidativo para saborear cada milímetro do desembrulho, tais presentes que estão a ponto de espalhar os brinquedos – os sintomas desagradáveis, mesmo que, os que estão ao redor vomitem dizeres julgativos. E do expor-se em fragmentos e com cautela nas palavras soltas no dizer tão intimo do solo cuspido, descobrimento das cicatrizes e reaprende-se o cultivo. Das manhãs nascidas, a palma das mãos ainda guardadas no botão de uma gardênia, tocadas pela metamorfose, com o mostrar gentil de cada tropeço, e desvenda a sincronia das bordas; beleza peculiar à nudez preconizada em chegadas e partidas, irrecusável para a inteireza. O encontro das variadas linhas do próprio novelo que decompõe o estado crítico, e que o encolher do manto às horas tão perversas e destrutivas, desabrocha o que já não é regra de abismo por decisão do avante.

Canteiro Pessoal


Picasso, Pablo


Hoje estou assim, meio espacial, meio medieval, com uma vontade enorme de fugir para a lua e plantar bem no seu centro um jardim de flores e crianças vestidas só de cheiro e cor.
Pressinto uma sensação crescer no meu corpo, não sei se choro, se grito, se rio ou se apenas sinto e sei também que a dúvida que desconcerta minha razão é exatamente saber o que fazer com tudo isso que eu ando sentindo por aí, sem cuidado, sem atenção.
É hora de despertar a razão dormente, embora a certeza de grandes lagos transparentes e samambaias ritmadas não saia de dentro do velho baú trancado no fundo do meu quintal.
O mundo parece ter parado comigo. As pessoas estão escondidas por grossos casacos de lã, a impressão que se tem é que estão rindo para dentro, por medo de receberem risos consequentes e o mundo morre por medo de sorrir e as pessoas congelam pelo medo de dar as mãos.
Nada justifica, nada explica, eu falo e as pessoas subentendem, com olhares rápidos que confirmam ou discordam ou simplesmente, se omitem. Se pelo menos a omissão fosse minha, se as páginas em branco fossem minhas. Não existe mais eu, existe só a vontade muito grande de encontrar um velho disco que me separou de mim, num tempo em que eu estava aberta para o mundo e o mundo me disse não e agora eu digo não para o mundo - pelo menos por hoje.

Sorohan, Valéria - Blindagem

9 comentários:

Celso Mendes disse...

é no silêncio que se aninham as palavras. tecê-las só para nós mesmos é uma prerrogativa que não nos podem usurpar. todos deveriam ter esse tempo.

um texto denso e interessante, que se volta para dentro ao mesmo tempo que se prepara para a saída. uma viajem interior.

gosto muito do manuseio que faz das palavras e dos sentidos...

beijo.

Celso Mendes

Canteiro Pessoal disse...

Celso, eis o passo a ser vivido por cada um de nós. Portanto, que o receio do abrir as portas da alma, desfaleça, e façamo-nos viventes livres, mesmo que, o palco sinalize facadas - cortes, marcas.

Abraços

Aleatoriamente disse...

Lindo texto moça.
Gostei muito de "caminhar nele" .
Beijinho linda.

Fernanda

Canteiro Pessoal disse...

Fernanda,

assim, com olhar de cume, enceno cada vez que retorno ao jardim, caminho. Pois, as pérolas estão gravadas, e tais recriam encontros, na qual o caminho é marco a todo instante. E ao som de um grande nome, que nomeia está alma que vos fala, receber renovo da graça. De condição morta, ressuscitada, ante um solo frutífero e de descanso incomparável.

Abraços

M@rcus Henrick disse...

Pri. que texto maravilhoso !!
SAudades !!
Abraços pra VC...

Canteiro Pessoal disse...

Marcus, amigo do peito, parceiro de escrita, a saudade também, do lado de cá, é imensurável!

Abraços

OutrosEncantos disse...

Santo Deus!...

a cada dia percorremos estradas infindas. a cada dia insistimos nelas e tentamos outras. quase sempre chegamos ao fim do dia, olhamos as mãos da alma, onde "tudo que luz" queremos absorver, e quase tudo é sombra.
e é assim que pouco a pouco, a cada dia, a cada caminho percorrido, a cada busca desesperada, nos fechamos um pouco mais para o mundo.
gosto de como olhas "as coisas" à tua volta, com os olhos do coração. não "gostas porque sim" (é fácil demais), gostas porque sentes, porque entendes, vais para além do óbvio (aparente).
passei num saltito ligeiro, apenas para que soubesses do valor da tua peugada no meu canto (porque o tempo é de facto curto). mas há ligeirezas que não são permissíveis.... e assim, estou com alguma dificuldade de me despedir...
... é que fiquei embrulhada no manto quente e doce desse teu texto.
e estou tão bem, tão confortável, que vou ficar até que me mandes embora... :)))
obrigada Priscilla, pelo carinho das tuas palavras...
escrever com o Jorge é assim, uma viagem alucinante!
beijinho meu.

José Sousa disse...

Querida amiga!
Fiquei espancado com sua beleza de escrita! Cada dia que encontro um blog como este, de beleza na escrita, me enche a alma e o prazer de ler! Vou ser teu seguidor, seja meu também lá em meus espaços.

Um beijo em tua alma.

Ira Buscacio disse...

Olá, Priscilla!

Que forte tua escrita, um terremoto interior a procura da saída.
Gostei imenso de vir aqui!
A propósito, a profissão é apenas uma metáfora. Trabalho como produtora.
Bj grande e linda semana