2011-06-10

escrito, dito ou sussurros?

Lembro-me – sim ! E com asas.



Os espelhos são usados para ver o rosto; a arte para ver a alma.

Shaw, George Bernard

A pauta das tardes chuvosas.
Da pausa íntima, a fina flor !
O esplêndido pensamento
na maravilha da fonte de água clara.
E de intensa profundidade
que por um fio de música,
o melodiar de uma planta é horizonte.
Do que é dito,
revisto sobre o piano nu.
Os ramos da escrita,
pela língua que revela os buracos.
De sílabas no eco do violão
onde o olhar repousa e,
o jardineiro mergulhado nas páginas
(folheia os arquivos mortos.)
As partículas vestidas da história,
que esboça pulsações e sons;
pássaros no rastro dos sentires.


Canteiro Pessoal

4 comentários:

Paulo disse...

Ferramentas, experiência, o corte singular dos cantos a aparar o jardim, lá vem ou vai o jardineiro a cortar antigas e dar passagens a novas gramíneas. É o serviço dele. E os pássaros vem saborear as sementes.

Canteiro Pessoal disse...

Sim, Paulo!

As ferramentas que inspiram, e é sentido a presença, refleti-se ao início de tudo. Molha-se, lava-se, e para os rios o que importa.
O corte tão peculiar, que de braços abertos caminhar pelo jardim, se encontra a devolução do coração, ou melhor, as batidas.
É o serviço! Mas, e o nosso?

Abraços

OutrosEncantos disse...

"... o jardineiro mergulhado nas páginas
(folheia os arquivos mortos.)
As partículas vestidas da história,
que esboça pulsações e sons;
pássaros no rastro dos sentires."

o teu dizer desatina-me o sentir, sabias?!...
... ou lembras?!

beijo.

A.S. disse...

Belo o teu poema! Fascinante o lirismo e a doce expressão poética!

Beijos meus...
AL