2011-06-14

à margem

não fiques lento perante o imóvel,
[...]

Nené, Tiago

Os monstros
atacaram e
arrasaram
as vias transitadas pelos
sentimentos mais sublimes.
Os sentimentos enredaram-se
confundindo
os cérebros mais privilegiados.
A emoção dá lugar
a razão, que
imperará
por mais que
nos empenharmos
contrariamente.

Diesel, Paulo



Só silêncio !
E quando fecha os olhos
Instala uma pequena rua e cidade,
Desloca-se para o centro que faz leitura,
Com vigor e rigor à arte abstrata.
Do núcleo à percepção intimidade vermelho rubro.
Os pés que estão sem alvo: surdos muros !
(Saudável ou não ?)
A razão que é a razão-emoção,
De ventos, pós e chuvas,
E faz escorrer o que dá excelência em digestão.
Totalmente, piegas,
Traz à tona os prenúncios
Que chegam a ser as bolinhas cinzas,
As marcas das possíveis pedras doloridas.
Nos meios uma história quebrada,
O comum desequilíbrio em mãos
Com sinalização de linhas catastróficas:
Poças de sangue !
(O que há de definido e indefinido ?)
Aos finais mensagens sacode a ossada;
Despertamento para a motivação de início em sol.
Sobre a pele o choro apertado,
À procura no calor da noite
Pelo quarto movido por recomeço.
Dentro de si, fala do desenho cruel. Não mais !
Captura-se a lacuna da ausência.
(Por que nos tantos anos a condição de ser morte ?)
O medo caminha em círculo !
A enxergar-se ao espelho,
O diálogo em [de] segredos,
Reflexiona-se atitudes e profecias
Do ser-se abortado –
Mas, palavra de rendição.
Sem o apenas, escuridão na garganta.
O coração em lamas e miragens,
Externa não interiorizar-se primeiro,
O que torna impossível adentrar no outro campo;
A construção importante !
O sistema no sempre urgente laça,
Mata de pouco em pouco a quem se lê,
Até o golpe fatal consumir a inteireza.
Uma roupagem que desfigura !

Canteiro Pessoal

6 comentários:

Cris de Souza disse...

cada verso mais espantoso que o outro...

brindo tua lira!

beijo, pri.

Canteiro Pessoal disse...

Cris, oba... brindemos!

Agradeço-te, sempre aquecedora nos comentários.

Abraços

Ira Buscacio disse...

Menina, que margem alucinante, como pés em precipício.
Maravilha!
Bj e boa semana

paulo disse...

A percepção do poeta vai além do que é percebido pelos normais, pelos leigos e tu, Pri, consegues nos mostrar isto, nos embriagas com tuas palavras e elas ficam, ali, dentro, nos re/alimentando o corpo e a alma.
Parabéns

Celso Mendes disse...

na densidade que se palpa escura, palavras surgem presas no silêncio para contar da leitura da superficialidade, disfigurante.

passagens geniais, minha querida. sou fã desse seu visceralismo. quando crescer ainda escrevo assim...

beijo.

A.S. disse...

Acho que me vou repetir... mas é uma delicia te ler!...

Beijos meus,
AL