2011-07-31

identidade



24 horas
O meu corpo é um relógio;
tic-tac mergulha em mim.
Os ponteiros sempre bailam por nutrientes - fibras.

Da fome e sede
devoro as entranhas do que me observa,
e o saciar invade-me;
o límpido dos oceanos percorre a pele grosseira.
Re/mastigo os dentes do papel.
No prato da vida - dia e noite,
vergonha e tristeza, solidão e raiva silente.
Amor é busca incansável, costura intensa.

O sangue,
o meu choro amargo e doce das canções semanais.

As mãos e os pés perguntas e respostas,
no que abraço e desamplexo,
[e o cansaço
um dia após o outro.]
O nascer e pôr-do-sol,
outro começo e fim;
olhar-me por dentro pela cruz,
tão perto e tão distante.

A minha memória dúzia de versos,
que deixo sair pelos poros:
executar e falar.
E pelo canto do olho,
calmaria e tempestade.

Canteiro Pessoal
Por Outros Encantos

4 comentários:

Suzana Martins disse...

As minhas identidades indicam o tempo de um nascer a outro pôr-do-sol. Um eco sem sucesso no porão de minhas incertezas. Alguns tantos versos e outras palavras castigadas pelas letras que apagam dentro de mim...

Mil palavras que chegam e revelam o avesso de mim...

COmo é gostoso te ler...

Beijos

Paulo disse...

Bom nos presenteares com escritos de outréns e escritos tão profundos que desvendam identidades.

Gostei, Pri

Canteiro Pessoal disse...

Paulo, a escrita de Nilson é exuberante; de uma originalidade e impacto, que prende, cativa um ser. Além, de trazer paixão, tato e glamour na forma que utiliza o alfabeto, perfume à casa. As palavras são ricas, com um enredo, lirismo, reflexivo.

Abraços querido!

OutrosEncantos disse...

um respirar...
e o céu ali tão perto

espanto!
... uma cruz
nos pés os cravos
nas mãos as flores de sal

um encontro sublime
no peito
pelos meios das rugas secretas da alma

de OutrosEncantos um abraço
obrigada