2011-08-07

clara nata do olhar

Ansiei a alvorada
para não doer mais.

Aquino, Luiz de



[Quem aprisiona
se não o veloz solo interior ?]
Mente esmagada em voos presentes.
Constantes notas comuns costuradas
com tons nostálgicos;
o cair brusco de folhas diante a febre:
as injúrias da vida !
E emanam rasgos no tapete vermelho
que re/desvela toda a existência virginal.
Quente, morno e frio
de real desnudo e paredes de pedra irrigantes,
em dor e sombra,
a pauta fulminante e fremente
nas grades do seio ilusório – verossímil mordaça !
De palidez, sabor amargo,
a perca das asas, através de cada minúcia,
que despontam para o buraco negro.
Plumagem manchada
com a beleza traidora;
os raios que reprimem a origem.

Canteiro Pessoal

6 comentários:

Suzana Martins disse...

Ah Pri, como vc me encanta. Como as suas palavras viajam dentro de mim encontrando abrigos, encontrando asas e céu. As tuas palavras são presentes presente em minha alma!!

Beijos minha linda!

Boa semana pra ti!^^

Adriana Aleixo disse...

Profundo demais... Realmente nosso solo interior é quem nos aprisiona.

Belíssimo, poetisa!

Bjo!

paulo disse...

A vida não é justa, vivida ao extremo de uma margem a outra, o precipício se precipita ao vazio existencial. Voar e voar e voar na busca e fugir batendo asas cortadas que sangram mas que cicatrizarão.
Os raios reprimem mas iluminam os vãos.

Celso Mendes disse...

Que belo, Priscilla. Todo poema muito intenso e usando de uma imagética perturbadora. Este final me ficou reverberando:

"Plumagem manchada
com a beleza traidora;
os raios que reprimem a origem."

beijo.

Jorge Pimenta disse...

querida amiga,
todo o solo detém, mas só ele sustém. entre o ir e o chegar sobre sempre a essência: a viagem.
um abraço com saudades da tua escrita sempre tão inquietante!

Dolce Vita disse...

Bela construção poética.