2011-08-01

diagnóstico



uma dúzia de versos de memória
que retrata canções de domingo;
deixa-se no lírico o pensamento,
sinal verde à fala escondida,
sair orações que rolam na bochecha dolorida.

uma rachadura no copo
que age de forma oceânica;
passa por caminho[s]
com versar pelo canto dos olhos,
e se tira a cara valente,
fotografa-se as horas,
sentindo o nome dos medos e dúvidas.

um líquido, não !
o líquido da vida dura,
e transforma o mapa
por dias que ficam longos em curvas.

gole que não executa,
sem receitas,
mas que se lida amargamente com a honestidade:
vergonha e tristeza, solidão e raiva.

coração nas noites re/sentidas - desabrochadas,
fronte penosa colheita,
e o jornal diário anuncia o presente abismo;
mancha-se as vestes
que escorridas por trás das cortinas,
chora gotas de amor suplicantes.

canteiro pessoal

4 comentários:

Paulo disse...

Nas curvas das estradas esburacadas, a velocidade do carro já não é mais a mesma. 200km/h e o vento balança os cabelos e embaça as lentes do óculos escuro. Chegar é importante e a velocidade ou o quando é secundário.
A viagem continua e o diário de bordo está sendo escrito para quem quiser ler/perceber/entender/sentir.
Os jornais noticiam sempre as mesmas notícias e os diagnósticos podem estar certos...

Suzana Martins disse...

Uma dúzia de versos escorrendo em letras que transformam a alma. Um coração pulsando em letras e na face um sorriso cheio de gotas...

Ah, as suas palavras encontram com os meus sorrisos!!!!

Beijos

Celso Mendes disse...

A quem entregas as tuas memórias e a quem manchas com tuas lágrimas senão a ti mesmo? Um poema que se arranca da alma e vaza entre rachaduras do corpo só pode ter a intensidade e a beleza de ser, ainda que doído. Estava lendo Eugénio de Andrade hoje (adoro!) e acho que tem um poema dele que conversa com este, em outro tom:

SOBRE O CAMINHO

Nada

nem o branco fogo do trigo
nem as agulhas cravadas na pupila dos pássaros
te dirão a palavra

Não interrogues não perguntes
entre a razão e a turbulência da neve
não há diferença

Não colecciones dejectos o teu destino és tu

Despe-te
não há outro caminho

Beijo, amiga!

Jorge Pimenta disse...

há tantos abismos plurais a ecoar numa só voz.
soberba a tua poesia!