2011-10-09

conexão



O dia presente que se despe para nascer brilhante de ciência maior, suave e ao mesmo ponteiro bastante intenso, transbordante em felicidade de olhos nos olhos. Alinhado no fino tecido aromático, que em milhões de vasos ervas milenares ao chá das letras, se transporta a obra viva do leito X para dentro do barco do ser. Partícula a partícula com uma profunda e fascinante admiração cada vez mais proximal, e não há o que temer e esquivar-se da cama preparada. Ao qual entre o calor de folhas úmidas, no interior quente e tremido, o arvoredo re/inventa um ballet: história do sertão intimal. O fluxo humano a lamber em delícias a lua que se espelha na lagoa doce de loucura. A salivação na rota até os lábios da saudade contínua e saudável. O embrenho das mãos ao início da noite que aquece impecavelmente. O ritual sagrado das conjugações em vestuário, face as linhas que se lançam ao extremo das metáforas. Os verbos defronte a pronúncia com o rosto de manhã enevoada, página por página, que acasala no silêncio recheado de amplexo e para se derramar ternura sobre a língua da missiva.

Canteiro Pessoal

7 comentários:

Sayuri Okamoto disse...

conexão de tantas coisas boas aqui, perfeito.


beijos mil ate mais flor*

O Espelho de Eva disse...

Tentando me reconectar, acho aqui um impulso que me faz seguir adiante. Beijos.

Danilo Castro disse...

Pri, a partir do que me escreveu, vou tentar traçar algo. Acho que ao longo da minha história como blogueiro cultivei boas amizades e você, ao lado de Thiago e Inês, é uma delas. Não lembro qual foi nosso primeiro contato, nossos primeiros textos comentados, mas acredito que somos todos mutantes. Quando olho pros meus escritos ontem e hoje percebo um abismo de diferenças. Creio que essas mudanças são fundamentais e passar por esse processo de autoavaliação, por mais doloroso que seja, é fundamental. A autoavaliação tem que vir seguida da sede de mudança, de transformação. Confesso que por vezes perdi-me em seus textos pela complexidade dos mesmos, mas não os tenha como apoéticos. A poesia somos nós, e nós somos o que escrevemos. Não precisamos desejar o sublime, ele já existe em nós, precisamos concatenar esforços e técnicas para que possamos nos expressar e atingir o outro, porque a arte é para o outro e não para nós mesmos, seria um egocentrismo louco querer a arte que expressamos para nós mesmos e ponto, como se o apreciador não fosse importante nesse processo. Ela é para alguém. É através da reflexão que descobrimos quem somos, o que podemos, o que queremos. Que possamos sempre estar de portas abertas para nos redescobrir. Boas novas. Boa sorte!

Augusto Dias disse...

Surpreendente poeta...
Muito bom!!!

Um abraço!!!

Nilson Barcelli disse...

Fazes magia com as palavras... nunca sei qual a cartola de onde tiras o coelho... mesmo sem qualquer cartola...
Sempre brilhante, resumindo.
Querida amiga Priscila, tem um bom fim de semana.
Beijos.

A.S. disse...

As palavras do poema
buscam a sua própria boca,
ávidas de corpo
entreaberto,
trémulas como folhas de árvore...
talvez as caricias em chamas
se levantem!


Beijos meus!
AL

Dois Rios disse...

Conexões de palavras, ideias, sentimentos e poesia.

As palavras, ainda que por vezes não alcancem o âmago de quem as escreveu, viajam no imaginário de quem as lê.

Assim és. Sabes murmurar em versos. És poeta!

Beijos,
Inês