2011-10-23

corações



A selva da vida natural e das traições presentes, com interfaces imensas e grotescas tem a finalidade de anulação da inspiração. E com atos disfuncionais sempre cutuca as faces que tocam o mundo da raiz, segundo o propósito do dom da graça que é leveza no andar. As bocas clamantes de socorro nesta corrida irracional, sem freios, dão ao desespero respostas. Sem pensar nos laços e contratos, como alimentos aos animais selvagens que devoram sem piedade a matéria viva. Há os que se camuflam - lobos, e os sabidos, letrados nas embarcações acabam sendo envoltos numa ilusão, e a mudança fica em luto. O ideal perpassa outra esfera. O real conserva a desigualdade e torna a vida sem harmonia. Seres andam em migalhas e possuem asas impuras, e comem a si próprios. Os calos revelam a todo instante o caminhar dificultoso e açoites verbais junto as cores do caleidoscópio. Dos vastos obstáculos, a compreensão da morada do inferno que não se adorna. Com os jornais em desgraça e nas noites que são longas, procurar balde de tinta não é prioridade. Olhar-se é questão isolada ! O quadro clínico necessitado de uma canção, prove com o diagnóstico o quanto se está separado do doce lábio. Da presença da vida ! - a cada respiração o descuidado se faz claro. E com pontuações se enxerga a verdade nas manhãs prescritas de um novo rumo, perspectiva para o todo, sabendo que o universo está caindo em pedaços, com o contexto gélido e sombrio que desaproxima a coragem e o amor, morre-se gradativamente. Ante o ano com a estação prevalecida de inverno, e bastante rigoroso, presos na teia da linguagem mecânica. As ondas que inundam o litoral, e não se encontra o caminho de casa, a voz peculiar. Com a perda da luz que quebra a escuridão de conquistas banais. O quê da bela melodia abolida dos olhos, e já não mais se conecta nas intervenções míninas da loucura do escriturar. Contudo, no sim ! Articular-se de querer, querer, querer... A pertencer junto às estrelas que são seguradas pelo verbo, com o fascínio da salvação.

Canteiro Pessoal

3 comentários:

Suzana Martins disse...

As ondas inundam a voz de um mar calado em sensações..

Ah Pri, como é magnífico ler as suas palavras...

Beijos

Nilson Barcelli disse...

Estaremos todos a ficar doentes?
Já nem o fascínio da salvação se vê com facilidade. Sei o que é isso, mesmo sendo agnóstico. Porque procuro salvar-me todos os dias, mas nem sempre o consigo.
Minha querida e doce amiga, continuas brilhante e acho que não há selva nem traição que te perturbe a inspiração. E eu gosto, amo mesmo, o teu olhar. A tua palavra. O teu dizer tão profundo. Se não existisses teria de te inventar...
Beijo grande, minha queridíssima amiga.
Beijos.

Canteiro Pessoal disse...

Nilson, afirmo que selva e traição pertubam a minha suposta inspiração, e faz com que o lado negro tenha voz. E, diversas vezes, não suporto o meu olhar. Olhar racional, cruel e egoísta. [Questões que preciso sempre trabalhar nas minhas atuações diárias.]