2011-10-02

A menos que soubesse para o quê

Estou desorganizada porque perdi o que não precisava?

Lispector, Clarice






Georgiana com o corpo exausto, oxigênio por um fio e ao som do calor dos minutos sem tempero, não lavara mais sua pele ao perfume das flores. ---- as horas tão doloridas das falácias remoídas - re/constatadas, retratavam sua tinta num curso de alicerce congelado. Com outra plumagem. A borda da xícara em outra forma, e que não haveria semear abundante de paisagens à vista.

A busca e entrega já não uniria pedaços e o quebra-cabeça da vida convictamente, jogado pela sacada. São cenas do espetáculo em luto. O que tanto amara abolida agora. Literalmente, incrédula na metafísica da linguagem. Desaprendera requintar o reflexo da alma cadenciada e romantismo-simbolismo, que proclamava esperança no confronto/conforto lírico.

Seu olhar focara-se na sequidão dos pomares, tomado como decreto, dado a cegueira instalação à autonomia. Uma funcionalidade que a retirava da essência do interior em artista real; sentido multifocal. E no apenas limitar-se a escuta das palavras que passavam com sabedoria, feitos de um mesmo segredo.

Os trovões que gritavam identidade no ponto X da sua vida com tentativas de desinquietá-la do estado cômodo, ignorados. No que era chocante e lamentável de se vê. Algumas vezes, os trovões a quatro mãos com os pincéis, até sabotados por causa do crescimento de sua resistência. O seu próprio enigma costurado com viver passivo e doentio. A predominância em questão no nó vital do escuro.

Ela que hipnotizada na montanha desenhada de folhas amareladas, de momento em momento queimados, e com lágrimas na garganta, não absorvera a luz que por uma fresta mínina dava sinal de salvação. Pois seu espaço estava inteiramente tomado de escuridão. Ao qual numa poética própria entre aleluias e agônias, o que havia levado-a em mãos nesta postura e visão, já contaminara a próxima primavera. Ao silêncio e angústia.

Canteiro Pessoal

6 comentários:

Jorge Pimenta disse...

todas as gargantas outonecem neste festim de cores desmaiadas a anunciar nudez, algures entre a queda e a renovação, porque nem só de mortes vive o homem. do outro lado do sonho, o silêncio doma angústias e abismos, porque se as grandes palavras dizem o mundo, é na ausência delas que o sentimos.
perfeito, querida amiga!
beijinho!

Nilson Barcelli disse...

Excelente texto, como sempre.
A verdade é que saio daqui com novas perspectivas de narrativas.
Querida amiga Priscila, tem uma boa semana.
Beijos.

Adriana Aleixo disse...

Lindíssimo, profundo!!!

Fico feliz que voltastes.

Bjo!

Por Ele. disse...

Que ela não perca sua identidade.

E que a dona dessa blog responda logo meu e-mail.

Canteiro Pessoal disse...

Paula, estou numa passada rápida por aqui, esta semana muito puxada e a outra será o mesmo. Encontro-me também à noite trabalhando, na elaboração das Diretrizes da Proposta Curricular para o município de Blumenau, junto com a Secretária da Educação de Blumenau, e me inteirando a fundo (leitura) aos Marcos Político-Legais da Educação Especial, fora os finais de semana sem folga, pois a pós agora é toda semana. E tenho trabalhos complexos para desenvolver, estudando o Sistema Nervoso Central minuciosamente, então, lendo muitos livros e artigos.

Abraços

ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Querida amiga

Embora triste
as palavras
parecem nossas,
pois não são
poucas as vezes
que somos
inundados
pela solidão.


Que os sonhos te habitem
o coração, sempre...