2011-11-26

Você pode me ouvir agora?

Caro Sr. Deus,
estou escrevendo para ti hoje, porque ultimamente tenho esquecido de orar, cantar... Sei que preciso de freio e desta caneta e, todos no fundo gostam de receber uma missiva. Agora e depois sinto muito por parar de escrever VIDA. Não posso mentir, às vezes me sinto desistindo, até mesmo atuo este enredo. Assim, durante o café lhe digo com o sol da manhã: OBRIGADA PELA LEMBRANÇA !

p.c.

O intervalo entre páginas a cada dia espanta, ao ponto da fala do estar aqui esta noite, resenhar ter o que se quer ou o que é preciso para atuação primária, secundária e terciária, de cansaço do sol escaldante, a face pintar-se ao segundo degrau com séria dificuldade para responder as tantas perguntas que caminham no lodo, gera introspecção. O qual a questão em si enterra as indagações, que no fundo são sinais de coisas maiores na vida - a decisão do melhor trajeto. Se as notas fossem colocadas contra a parede e, tivessem que escolher a separação, como quando se observa os oceanos que dão tremores por não apresentar com eficácia a profundidade à pele, como se viveria ? Todas as vezes que a razão cogita experimentar mergulhos, senti-se o ímpeto de abandonar o alimento dos sonhos – a coragem. E, se isso é tudo que há no discurso, os seres precisam de calma interna para não quebrar a cabeça em torno da grande muralha. Mas, mostrar-se com prontidão e não indiferente quanto às carícias do chamado que vem a galope. Pois, do contrário, os braços da visão do além ficarão inexistentes ao retrato da nova morada. O sol da justiça tão longamente e bastante esperada, precisa ser despertado por dentro. Caso a permanência do modo passivo e negligente, o furação perpassará na mediocridade e extinto numa intimidade mascarada obtendo um fardo às costas. Nas viagens de verão percebe-se que a continuação do crescer está sentada à beira do precipício, instaurando uma aspiração insólida. Aos quais os livros mantêm-se lado a lado em desarmonia, sem mais poder tocar as cordas. O de repente sempre surgi com uma entonação forte, a pedido para fechar os olhos e ouvir, até ser lembrado a beleza do vento que anuncia as experiências – da maravilha e do terrível ! E que leva até a beira da água ao mais profundo e intenso encontro para aprender amar outra vez. Revela-se que ser lavado pelas ondas ainda é prática do recomeçar, ante a face do abismo com o olhar bem fixo para a escrita remanescente. Momento ímpar que suavemente se interrompe a história de que não há mensagem na garrafa. E a que se ouve dói, mas aos cantos agarra-se à rocha, no quanto não há tempo para perder com a correnteza, simplesmente mantendo-se na direção almejada. Junto à legenda antes de subir para o ar. E que a recuperação da voz salva lacunas, como desvincular-se do obscuro e olhar para dentro de si. Mesmo que no inverno, durante diálogos e gotas, o estar só seja necessário, mas aquecer-se ao fogo das vastas leituras para evoluções em todas as esferas. Com a convicção de uma beleza atemporal, estouros de trovão e crescendo ondas na areia e, que o vento está sussurrando. ---- as mãos virtuosas fazem da argila com valor inestimável, vida numa canção simples. Na qual o punhado de pó afogado em lágrimas que correm pelo rosto, vale a permissão à biblioteca emocional, porque se respira o ar do céu. Aprende-se demonstrações de afeto e a ouvi-lo na loucura de todos os dias. E que a vida é uma sinfonia, e somente pode ser cantada sobre a perfeita vontade e humildade do arquiteto, sendo assim, a carne viva em companhia com todas as criações pulsantes, com diversas perfurações, as máscaras jamais serão instrumentos e alimento. Farejar o vento será dádiva e objetivo. E não se discutirá sobre. Em que a inspiração perscrutará os ruídos da floresta como ambição, beleza e emoção. Então, se verá a alma rendida ao espírito.

Canteiro Pessoal

6 comentários:

Suzana Martins disse...

A vida é uma sinfonia entoada em versos frágeis, fáceis e completamente argumentados. Ilógicos ou não, a alma respira em momentos em que a razão é apenas um fator comum entre tantos outros versos metafóricos...

Desfaz a razão num punhado de palavras verseadas com a inspiração sentimental!

Beijos minha linda!!

Quanta saudade de vc...

P.s.: Meu bloguinho trocou de roupa, rs... vc viu?! rs...

Beijinhos

Canteiro Pessoal disse...

Su, conferi a nova roupagem, apenas tenho sido descuidada quanto as visitas nos blog's que aprecio, como ao próprio jardim. O esporádico atualmente em permanência. Mas, logo estarei com tempo para as visitas que tanto me acrescentam, me enchem de gozo.

Abraços, e saudades...

Celso Mendes disse...

Interessante que, ontem mesmo, postei um texto com entonação semelhante, embora sem a mesma espiritualidade. Pois é, a vida nada mais nos oferece do que vivê-la. Este é o tempo. Não haverá outro igual.

beijo.

Canteiro Pessoal disse...

Verdade Celso! Vivê-la!!!

Jorge Pimenta disse...

pergunto-me, às vezes, quem é deus e que projetos arriscou para mim? conhecê-lo-ei (a si e ao projeto) tão bem quanto ele se/o conhece? conhecer-me-ei minimamente para os poder saber?
seja deus quem for, o que for ou onde estiver, penso-o, umas vezes, sinto-o, outras, maldigo-o, outras, ainda, porque sei que a floresta apascenta os seus ruídos, as cidades zumbem movimentos metálicos, as nuvens são empurradas pelas vozes e o homem, na sua infinita precariedade, sabe que a sua alma é feita de fogo.
beijinho, querida priscila!

Nilson Barcelli disse...

Este teu magnífico texto é tão rico que não é fácil comentar. Ele daria para uma conversa de uma tarde inteira...
Querida amiga Priscila, tem um bom fim de semana.
Beijo.