2012-01-10

o vento no primeiro horário

A história transparecida em seus olhos, nada mais do que o retrato de muitos. Como persona viva, atuante no globo, filmava-a sofrer, angustiar-se, alegrar-se, fadigar-se, visto que sua matéria e alma às exposições das erosões. Mas, o que leva a relatá-la por entre as miúdas letras é a luz que percebera, e o aguçar do efeito. E em seus olhos como jardinagem, uma obsessão.

Por possuir tamanha dificuldade em discursos, percebê-la e contar um pouco de sua passagem tornou-se inspiração. E mesmo que, ao observá-la capture a busca ardente pelo nascer do sol em sua face, para que as noites escuras não sejam mais personagem principal, seu interior, a qual pensava estar sem ser notado, exprimiu oceanos. Sua desenvoltura no universo das letras, que dizia na leitura dos olhos a todo tempo estar em declínio, articulavam-se num novo patamar, e que não estavam mortas.

Desde que seus olhos focaram-se para o reflexo do céu, as aventuras perpetuaram-se em esferas únicas, que a fazia praticar giros, piruetas incomuns. E a cada vislumbre dos movimentos se apropriava do fôlego que desabrochava o amadurecimento.

O envolvimento de Georgiana, com certas falas e interações, desenvolveu a abertura do afogamento, pelas quais as submetidas perdas fizeram seu território com dúvidas quanto a laços. Ponto a ser discutido. De pensamento inocente, a fixar-se no outro lado da moeda, que dá vestimenta às novas plantações. A beber com cautela certas questões e a ser específica quanto jogar as iscas, para que a cada suceda permanência.

O trabalho desempenhado para sua subsistência bastante árduo, requerido muitas renúncias e entregas. As muitas leituras direcionadas na maioria das vezes embaralhavam-se. Muitas das sementes morreram no percurso dado a falta de habilidade e visão. E a surrá-la por dentro. Pensamentos diferenciados sobrevoavam, ou melhor, por consumi-la sem dó e piedade.

Ela com seus mergulhos intensos, e pintados com um desejo ardente no equilibrar-se significativamente na linha da vida, fazia essa importante roda situar-se. No desconhecido que liga aos encontros consistentes – marcantes e que reverte toda sequidão. Havia, contudo, arrependimento quanto a sua entrega a cenas que vivera. Escolhas estas, que agora maduras em pensamento, a fizeram desvirtuar da bebida nobre.

Sua estadia sempre a lugares que não desejava ter estado, sido feitas por consideração dos seus, causara um deserto interno, bem como a própria solidão em diálogos intensos, que se perderam no ar. O tal ritualismo em evidência e com conversas sem avanços intensificou-se o bastante para a fixação no calendário. Ao qual a deixava desnorteada, e a ser o que não queria ser: vida como um cálculo matemático que dá indigestão.

Canteiro Pessoal




... fazer o rio fluir em terra seca,
brotar água no deserto, e rios no ermo!

Guimarães, Marcelo

4 comentários:

Nilson Barcelli disse...

Já leste algum livro do António Lobo Antunes?
O teu magnífico texto fez-me lembrar a maneira como ele escreve. Não tanto a forma, mas o saltar permanente de imagem. Talvez pelo efeito do vento...
Priscila, querida amiga, um beijo.

Canteiro Pessoal disse...

Nilson, não li nenhum livro de Antunes. Desconheço o perfil, história desse escritor.

Confesso, que minhas leituras são muito voltadas para a função que desempenho. Muito raro [esporádico] ler poemas, crônicas, prosas... tudo a este gênero.

Abraço vaso!

Adriana Aleixo disse...

Querida, depois de uma pausa estou de volta... Lhe espero em meu blog. Bjo!

Canteiro Pessoal disse...

Adriana, por lá estarei!

Abraço!