2012-01-12

ficar em silêncio, e entrar na casa

A parte sensível que espreita o alto e se respira, ante a convocação dos poros que exala o infinito suspiro habitado dentro de uma caixa. Os mortos e vivos do mar à beira de um presente interminável, com as dicas aromatizadas na travessia do despertar intenso e robusto. O barulho dos papéis na retina como gotas cortantes a cair sob a leveza de ser; a capacidade de dizer o indizível. E nos olhos da liberdade, vibrar no tudo e nada que ultrapassa o escuro. A materialização no riso da serra do luar que faz bastante poeira e se conquista o afinar dos instrumentos, por não optar pela arrumação imposta, e sim, ao brotar de água no deserto pelas coisas simples da vida. E faz a marcha da bagunça tocar o rosto do oceano. Do verde-amarelo da nação que apalpa cada ruga, de dentro pra fora, a caminhar junto ao mar da fome do encontro em essência, no machucar doce e amargo dos lábios em gênese. A toda geografia da presença que vê o coração profundo se silenciar para a unificação inteira. E se instaura perseverança à história de um mapa uníssono. Os quadros mentais que evidenciam as mãos calejadas sem confundir as fotos antigas fitadas como luxo, e dá a autores de partes o que é difícil entender, sendo pura arte do voo-casa que canta alcançar o longe onde está a voz que grita. --- a multidão que comunica a pintura com punhal, e a apelida estrelas estranhas com os dedos. Os vidros que embaçam, e no respeitoso a discussão quanto se é em pés descalços, com o ato de despir-se para se fazer transbordante. E de acordes iniciais perpetuar o detalhe de solidão em banhos cercados de palmeiras. O que se pesa, pondera e delira com o descortinar das janelas. E é permanente atrás das linhas algo mais reflexivo e esculpido. As prosas que se sabe de repente com clareza e se faz marcante na minúcia de um ósculo, e só o violão traduz a parte da linguagem que é questão de vida ou morte defronte a quebrada do sol, por observar no muro o espelho.

Canteiro Pessoal




Perto do revés e da lama,
infiltrado no orvalho que a noite purifica,
penduro-me na árvore do silêncio,
onde me abrigo na procura,
agora surda-muda, do brilho das ideias.

Caminho, entre o nada e o quase,
com a mesma luz
de uma candeia tremente, à distância,
como se no propósito analítico
nada mais se inventasse
que o inquinado intento de escorraçar
e varrer cada fruto deste moribundo alento.

Ainda assim, consigo ver, na tua boca,
o instinto do chamamento virgem,
a fonte que dá corpo
à utopia de emudecer agoiros pretos de gatos.

E o canto cresce, finalmente,
da predição autêntica,
revelação que te distingue, timbrada,
no berço claro do poema em gestação.


Barcelli, Nilson - Génese

4 comentários:

Jorge Pimenta disse...

"Os mortos e vivos do mar à beira de um presente interminável"

há espantos nas mãos dos homens que são candeias a remexer-nos nas trevas. nenhuma vida respira fora da pausa e do silêncio que com a morte se venha a escrever, razão por que a energia dos homens acende os mortos, que apagam a energia dos homens que acende os mortos que apagam a energia dos homens...
inquietante.
abraços para ti, querida priscila, e para o coautor, barcelli!

Nilson Barcelli disse...

Pricila, querida amiga, obrigado pelo destaque.
Beijo.

Canteiro Pessoal disse...

Jorge, Barcelli é extremamente hipnotizador nos escritos. A tinta que este ser utiliza leva o outro por lugares inesgotáveis - aventuras internas e ao inquietar de escrita precisa. Pari o trecho acima, após a leitura de Génese, pois a pretensão era a prevalência do que me presenteou, ao aceitar meu convite por aqui residir. O que abordei (que é comentário acerca) foi o efeito que o escrito me causou. Tão somente registro (exprimo) que ele me inspirou de forma incomum e bastante reflexiva; a provocar cortes - rasgos na minha alma, que a todo tempo grita.

p.s. Pimenta, também não posso deixar de dizer, que cada comentário feito por ti, o toque sucede profundamente. Todos com uma riqueza. E a imprimir na minha pele inteligência - maestria na arte do grafar.

Abraço!

Canteiro Pessoal disse...

Barcelli, destacá-lo foi uma honra! Génese é uma riqueza de escrito. Portanto, obrigada por aqui estar.

Abraços!