2012-01-08

horas a fio na observação

É dificil ficar de pé
na areia movediça
É difícil brilhar
nas sombras da noite

Grant, Natalie





Georgiana enquanto repensa na parede dura e fria, nas vozes mais baixas dentre estas, a chamar além de um mundo oco, esboça as mãos que suplicam a necessidade de água. Tal valor imensurável do amor que faz folhear o livro amarelo em sonhos mistos. A canção de trovador que dá forma ao poço. E sob a luz nua se cava o ritmo escrito nas paredes do metrô. A cabana que protege do frio e umidade.

A sua visão dialoga nos lábios seus do por que ainda está presa. Ao encontrar-se como menina dos olhos no campo, na correnteza e na expressão do coração com o agito do mar entranhado no caminho, percebe achar vida enquanto a perdi. O rugido do trovão e a chuva que cai por entregar o passado significativo de verdades, com os tons de detalhes peculiares chama a sua atenção. A remoer o pensar de que permaneces só no barco e descobrir segredos que se curvam para a criança interna. O qual linhas borradas na sua mente não a faz enxergar pintada com o céu ocidental, bem como à alegria dos problemas que vem a ensinar.

Os diálogos com mentes comuns quanto a sua postura do sentar e chorar ante a formosura das notas surrealistas desvia em horas o seu olhar, o que lhe desafoga do amor. E cicatrizes arruínam o jardinar diário dos planos. A melhor parte, ao lindo desconhecido, com inclinação forte das fases da lua, perdidas no lado obscuro de um sim sem graça. E quando a sua consciência volta ao prumo, o retornar torna-se dificílimo. As lágrimas caídas do rosto trituram, e não se perdoa. O peito aperta, senti tamanha vergonha para escrever canções.

Na sua pele, ao mesmo ponteiro do não visível e do evidente, que se ajusta em perfeição na beleza repousada em profundidade, onde estão os arrepios e as suas fraquezas, saboreia o som silente da história que levanta muitas questões. Mas, quando os seus olhos insistem por um brilho costumeiro, do vinho nobre desfaz-se e habitua-se a beber o seu próprio vomito - permanece na linha mediana; das vestes límpidas a farrapos configura-se.

Há muitas sementes que dormem no seu leito à espera de serem vistas como diamantes na pedra. Em ruas invisíveis e estreitas de paralelepípedos se chocam. O câncer ousado suplica para que as noites rachem. Às vezes, nas suas conversas sem falar com gotas de chuva produz o prenúncio de música que fará sofrer a geografia. E com a batida da última hora pressenti ameaças das lâmpadas. Ao seu redor dialetos fortes de aparência a puxam, e acaba na jornada exalar superficialidade. Mas, o sinal minúsculo, acima do caminho dos homens, sacode a velha amiga sinfonia de cores que dita a linguagem do bebê, e como há no fundo manchas que tocam o rebuço, para que o cérebro não fique cego, o quadro clínico reverte-se. E, por isso, o isolamento tão questionado a persegue. Como prato saboroso ajuda a rosa não falecer.

Canteiro Pessoal

3 comentários:

Bandys disse...

Qualquer pagina em branco cabe o amor, amor pela vida! E foi isso que senti aqui.

Gotinhas de vida gotejando pelos dedos.

Obrigada pela visita.
Volte mais, eu voltarei.

Beijos

Jorge Pimenta disse...

"Há muitas sementes que dormem no seu leito à espera de serem vistas como diamantes na pedra."

inquietantemente tão verdadeiro quanto a verdade da falsidade daqueles que ousam, em bicos de pés, espreitar acima do que [não] são.
beijinho, querida amiga!
p.s. o assis de freitas tem o blogue 1001 poemas. sim, é genial, ele, valendo bem uma passagem.

Canteiro Pessoal disse...

É Jorge, inquietante é a voz que por dentro sufocamos. Tornamos negligentes quanto os diamantes que estão nos lugares improváveis. Há muito o focar do ser-se vitrine, agradar olhares, que abdicar as sementes é natural. Repenso ao mais, a falsidade que veste a todos nós. Matamo-nos a todo momento e ao outro. Guiamo-nos por miragens, bem como alimentamo-nos com superficialidade. Infelizmente, muito pouco permitimos os diamantes sobressairem nas pedras. E a nos ensinar o quão valioso e inteiro, é ser-se a lua nua, o que não é dito acadêmico. Assim, a olharmos com mais zelo todas as esferas.

Abraço!