2012-03-31

o porto dos seus olhos

Defino-te longe da minha razão
E sem muitas delongas;
Textual de sentidos,
Na transparência do vento,
Onde o teu sopro me carrega.
Alongo-me na vitalidade do seu hálito.

Extraída da vossa existência
Pela intensa profundidade
As minhas mãos o sentem,
Lendo-te com alma desenformada,
Apenas gradualmente e com temor.
Ao corpo da passagem da realização,
Apalpo-te em conhecimento e desconhecimento.

Apresento-me para o retrato da tua nudez.
As minhas notas se curvam,
E me desmancho a cada construção
Que me alcança em grandeza,
Fazendo do esplendor de um dia
Ritmar os cílios
Entre o mundo interno e externo,
Como selo sobre o meu coração.

Canteiro Pessoal


2 comentários:

Sayuri Okamoto disse...

abrir o coração é uma tarefa um tanto árdua, nas quando aberto ainda mais para a pessoa certa, se torna ainda mais prazeroso

Canteiro Pessoal disse...

Com cereteza Okamoto! Entretanto, aprendo que mesmo quando abre-se para o certo, este pode vestir-se de uma nova roupagem. Com isso, simplifico, que o certo nos prega peças. E precisamos estar preparados quanto a isso, caso contrário, vamos à queda.

Precisamos minha cara Sayuri, aprender abrir o coração primeiro para nós. Pois temos dificuldade de nos olharmos por dentro, e não desenvolvemos o porto dos olhos. Enfim, se temos esse olhar, o outro, que nós é imperfeito como nós, será sempre: o porto dos seus olhos.

Abração!